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Seiko Ananta: A Lâmina do Tempo e a Ofensiva de Luxo Global Inspirada na Katana


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A primeira coleção de luxo da Seiko lançada mundialmente (fora do Japão) focada em movimentos mecânicos e Spring Drive, com caixas inspiradas em Katanas.

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RESUMO

Lançada em 2009, a coleção Seiko Ananta representou um momento seminal na história da relojoaria japonesa, marcando a primeira vez que a Seiko introduziu uma linha de luxo, centrada em movimentos mecânicos e Spring Drive, para o mercado global. Até então, as suas criações de alta relojoaria, como Grand Seiko e Credor, eram tesouros ciosamente guardados para o mercado interno japonês. A Ananta foi a ponta de lança, uma declaração audaciosa dirigida diretamente aos conhecedores e colecionadores ocidentais, demonstrando que a mestria da Seiko ia muito além dos seus fiáveis e acessíveis relógios de quartzo e de mergulho. A sua filosofia de design é profundamente japonesa, inspirando-se na arte milenar da forja da espada Katana. Esta inspiração não é meramente conceptual; manifesta-se na complexa construção da caixa, cujo perfil lateral espelha a curvatura graciosa e mortal da lâmina, e no excecional polimento Zaratsu, uma técnica que cria superfícies espelhadas e sem distorção. Posicionada como uma coleção desportiva de luxo, a Ananta visava um público que valorizava tanto a inovação técnica – como o cronógrafo com roda de colunas ou o revolucionário Spring Drive – quanto a arte e o artesanato autênticos. A sua importância é imensa, pois foi a Ananta que preparou o terreno para a subsequente expansão global da Grand Seiko, redefinindo a perceção mundial da marca e consolidando o seu estatuto como uma verdadeira 'manufacture' de alta relojoaria.

HISTÓRIA

A génese da coleção Ananta em 2009 não pode ser compreendida sem analisar o panorama da Seiko no final dos anos 2000. Internamente, a marca operava a um nível de excelência relojoeira que rivalizava, e em muitos aspetos superava, os seus homólogos suíços através das linhas Grand Seiko e Credor. No entanto, para o mundo exterior, a perceção da Seiko estava largamente ancorada na sua produção em massa de relógios de quartzo inovadores e relógios de mergulho robustos e acessíveis. Havia uma desconexão profunda entre a capacidade da 'manufacture' e a sua imagem internacional. A Ananta foi a resposta estratégica e cultural a este desafio. Foi concebida desde o início para ser uma embaixadora global, uma coleção que não escondia a sua identidade japonesa, mas que a celebrava de forma orgulhosa e inequívoca. O nome, derivado do sânscrito para 'infinito', simbolizava a busca incessante da Seiko pela perfeição. O conceito central por trás do design era a Katana, a espada do samurai, um ícone de precisão, beleza e força na cultura japonesa. Esta inspiração foi traduzida de forma notável pelo designer da Seiko, que estudou a arte da forja de espadas para informar a estética do relógio. A construção da caixa, composta por múltiplas peças, permitiu a aplicação do polimento Zaratsu – uma técnica manual extremamente exigente que cria arestas vivas e superfícies espelhadas perfeitamente lisas – em ângulos complexos, replicando o brilho distinto da lâmina de uma espada. O perfil lateral da caixa curva-se elegantemente, tal como uma Katana. A coleção de lançamento de 2009 foi deliberadamente focada em calibres de topo para causar o máximo impacto. Incluía o Cronógrafo Automático (impulsionado pelo recém-desenvolvido calibre 8R28 com roda de colunas e embraiagem vertical), o Cronógrafo Spring Drive (com o calibre 5R86, que oferece a máxima precisão de um ponteiro de segundos com deslize perfeito), e um modelo automático multi-ponteiros. Estas não eram apenas escolhas técnicas; eram declarações de competência. Ao longo da sua produção, que durou vários anos antes de a linha ser descontinuada, a Ananta viu variações que aprofundaram a sua ligação ao artesanato japonês, como as cobiçadas edições limitadas com mostradores em laca Urushi, pintados à mão por mestres artesãos. Embora a coleção Ananta já não faça parte do catálogo atual da Seiko, o seu impacto é indelével. Serviu como uma campanha de 'choque e admiração' que reeducou o mercado global, demonstrando a capacidade da Seiko na alta relojoaria. Abriu caminho para o lançamento internacional bem-sucedido da Grand Seiko em 2010, que talvez não tivesse sido recebido com tanto entusiasmo sem o trabalho de base estabelecido pela Ananta. Para os colecionadores, a Ananta permanece um capítulo fascinante e ousado na história da Seiko, um testemunho de quando a marca decidiu, de forma inequívoca, brandir a sua 'lâmina' no palco mundial.

CURIOSIDADES

A técnica de polimento da caixa, Zaratsu, tem o seu nome derivado da máquina de polir alemã que os artesãos da Seiko adaptaram. É a mesma técnica usada para criar as superfícies sem distorção nas caixas da Grand Seiko. O nome 'Ananta' não é japonês, mas sim sânscrito, e significa 'o infinito'. Esta escolha pretendia transmitir uma mensagem universal sobre a busca interminável da perfeição pela Seiko, apelando a um mercado global. O calibre cronógrafo automático 8R28 foi um marco técnico. Incorpora um martelo de três pontas patenteado que garante que todos os contadores do cronógrafo (segundos, minutos, horas) regressem a zero de forma instantânea e perfeitamente sincronizada. Apesar da sua qualidade e design marcante, a Ananta raramente foi vista em celebridades, sendo uma escolha de 'conhecedor'. A sua reputação foi construída puramente com base no mérito técnico e artesanal, em vez de marketing de influenciadores. Os modelos mais raros e procurados da linha Ananta são as edições limitadas com mostradores feitos com laca Urushi. Estes mostradores eram pintados à mão pelo mestre artesão Isshu Tamura em Kanazawa, Japão, ligando o relógio a outra forma de arte japonesa com séculos de história. O design da caixa não se limita à sua forma. O processo de fabrico envolvia forjar o aço e depois usiná-lo, num processo de cinco etapas que era muito mais complexo e dispendioso do que o de uma caixa de relógio convencional, tudo para alcançar a força e a beleza de uma Katana. A Ananta foi fundamental para a estratégia global da Seiko. Pode ser vista como a 'ponte' que ligou a perceção da Seiko como fabricante de relógios de consumo à sua verdadeira identidade como uma 'manufacture' de alta relojoaria, preparando o caminho para o sucesso da Grand Seiko no Ocidente.

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