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Casio BP-100: O Relógio de 1992 que Previu a Revolução Wearable com um Monitor de Pressão Arterial no Pulso


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Monitor de pressão arterial e batimentos cardíacos integrado ao pulso. Utilizava sensores ópticos e de pressão.

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RESUMO

No alvorecer da era digital dos anos 90, quando a miniaturização era a fronteira da inovação tecnológica, a Casio transcendeu a mera cronometragem para se aventurar no território da saúde pessoal. O Casio BP-100, lançado em 1992, não era apenas um relógio; era um portal para o futuro da monitorização biométrica. Posicionado como um dispositivo de vanguarda para os entusiastas da tecnologia e indivíduos conscientes da sua saúde, o BP-100 representou uma mudança audaciosa, afastando-se dos relógios de calculadora e banco de dados que definiram a marca, para algo com implicações genuínas no bem-estar. A sua filosofia de design era inequivocamente funcional, uma caixa de resina volumosa que abrigava uma tecnologia revolucionária: um sistema de duplo sensor capaz de medir a pressão arterial e a frequência cardíaca diretamente no pulso. Embora não fosse um instrumento de precisão médica, a sua existência por si só era um marco. O BP-100 é horologicamente significativo não pelo seu luxo ou complexidade mecânica, mas por ser um dos primeiros antepassados diretos e comercialmente viáveis dos modernos smartwatches e rastreadores de fitness. Ele demonstrou que o pulso era um local viável para mais do que apenas contar o tempo, estabelecendo um precedente que levaria décadas a ser totalmente concretizado por gigantes da tecnologia como a Apple e a Garmin.

HISTÓRIA

O Casio BP-100 surgiu num momento fascinante da história da tecnologia, o ano de 1992. O mundo estava no auge da revolução digital, mas a internet como a conhecemos hoje ainda estava na sua infância, e a ideia de um dispositivo conectado no pulso pertencia ao domínio da ficção científica. Foi neste cenário que a Casio, já mestre em integrar funcionalidades complexas como calculadoras e bancos de dados em relógios de pulso, deu um passo pioneiro em direção à saúde e ao bem-estar. O BP-100 não foi o primeiro esforço da Casio neste campo; foi precedido pelo BP-1 de 1987, que exigia que o utilizador colocasse um dedo numa manga separada para obter uma leitura, um método mais complicado. O BP-100 representou um salto quântico em termos de integração e usabilidade. Pela primeira vez, a medição era realizada inteiramente no próprio relógio. A sua tecnologia era engenhosa e precursora dos métodos atuais. Utilizava um sensor óptico de fotopletismografia (PPG) na parte inferior do fundo da caixa para detetar o fluxo sanguíneo e calcular a frequência cardíaca, semelhante às luzes verdes vistas nos smartwatches modernos. Para a pressão arterial, o sistema era mais complexo: o utilizador tinha de levantar o pulso até ao nível do coração, e pressionar com o dedo indicador da outra mão um pequeno sensor de pressão localizado na lateral da caixa, completando um circuito que permitia ao relógio realizar a medição. O design do BP-100 era um produto puro do seu tempo: uma caixa de resina robusta e angular, com botões proeminentes e um ecrã LCD segmentado que exibia gráficos de barras juntamente com os valores numéricos da pressão sistólica e diastólica. A sua estética não procurava a elegância, mas sim a clareza funcional, um testemunho do seu propósito como uma ferramenta séria. Não existem muitas variações conhecidas do BP-100, pois foi um modelo altamente específico. No entanto, o seu legado é visível nos seus sucessores, como os modelos da série JP (Jogging & Pacing), que refinaram a monitorização do pulso para corredores. O impacto do BP-100 na indústria relojoeira e tecnológica foi profundo, embora não imediatamente aparente. Na época, foi considerado um gadget curioso, uma novidade tecnológica. Contudo, em retrospectiva, foi um marco visionário. Provou o conceito de que o pulso poderia servir como uma plataforma para a recolha de dados biométricos vitais, uma ideia que é agora o pilar de uma indústria multibilionária. O Casio BP-100 é a prova de que a inovação muitas vezes parece um gadget antes de se tornar indispensável, solidificando o seu lugar na história como um dos verdadeiros avós do smartwatch moderno.

CURIOSIDADES

O método de medição exigia uma postura específica: sentar-se, relaxar por alguns minutos e depois levantar o pulso até ao nível do coração para garantir uma leitura o mais precisa possível. Apesar de inovador, o relógio era vendido com avisos claros de que não se tratava de um dispositivo médico e não deveria ser usado para diagnóstico ou tratamento de condições de saúde. O BP-100 foi um dos primeiros dispositivos de consumo a integrar a tecnologia de fotopletismografia (PPG) para medir a frequência cardíaca no pulso, uma tecnologia que é agora omnipresente em todos os smartwatches e rastreadores de fitness. Colecionadores de relógios digitais vintage procuram o BP-100 não pela sua precisão, mas pelo seu significado histórico como um marco tecnológico e pela sua estética 'retro-futurista' distinta dos anos 90. O relógio conseguia armazenar até 30 conjuntos de dados de medição (pressão arterial, pulso, data e hora), uma funcionalidade de memória impressionante para a época, permitindo ao utilizador acompanhar as suas tendências ao longo do tempo. Não possui um apelido universalmente conhecido na comunidade de colecionadores, sendo geralmente referido pelo seu nome completo, 'Casio Blood Pressure Monitor', o que sublinha a sua identidade única e funcional. A sua publicidade destacava a capacidade de verificar a pressão arterial 'a qualquer hora, em qualquer lugar', um conceito de marketing que antecipou em décadas a promessa de saúde e bem-estar constante oferecida pelos 'wearables' atuais.

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