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Breguet Nº 4287: O Gênesis do Calendário Perpétuo de Pulso com Data Retrógrada de 1929


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Relógio de pulso único com calendário perpétuo e data retrógrada, vendido em 1929. Um marco histórico de complicação em formato de pulso.

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RESUMO

O Breguet Nº 4287, vendido em 1929, representa um dos momentos mais cruciais na história da relojoaria de pulso. Longe de ser um modelo de produção, esta peça única é um monumento à inovação técnica, sendo amplamente considerado o primeiro relógio de pulso a combinar um calendário perpétuo com uma indicação de data retrógrada. Numa era em que o relógio de pulso ainda solidificava a sua legitimidade e as grandes complicações eram domínio quase exclusivo dos relógios de bolso, a criação do Nº 4287 foi um ato de audácia e genialidade. A sua filosofia de design é puramente Breguet: elegância neoclássica, legibilidade impecável e uma execução mecânica que desafiava os limites do possível. Não foi concebido para um mercado, mas sim como uma encomenda especial para um conhecedor de elite, Monsieur Jean Dollfus, um industrial que compreendia a importância de tal feito. A sua significância transcende a própria marca; este relógio não só demonstrou que as mais altas complexidades da horologia podiam ser miniaturizadas para o pulso, como também estabeleceu um precedente que inspiraria gerações futuras de relojoeiros. É, sem exagero, uma das peças fundamentais sobre as quais se construiu a reputação do relógio de pulso complicado moderno, um elo direto entre a tradição de Abraham-Louis Breguet e a alta relojoaria do século XX.

HISTÓRIA

A história do Breguet Nº 4287 é a história de uma singularidade visionária, nascida no crepúsculo da 'Belle Époque' e no limiar da Grande Depressão. Concluído e vendido em outubro de 1929, o mesmo mês da fatídica quebra da bolsa de Wall Street, este relógio simboliza o apogeu de uma era de luxo e inovação técnica que parecia imune às convulsões do mundo exterior. Naquela época, o relógio de pulso era uma invenção relativamente recente, popularizada durante a Primeira Guerra Mundial. Enquanto a sua utilidade era inegável, a sua capacidade para albergar mecanismos complexos ainda era amplamente questionada. As grandes complicações, como o calendário perpétuo, eram obras-primas de relojoaria que exigiam o espaço generoso de um relógio de bolso. A Breguet, herdeira do maior génio da relojoaria, ousou desafiar esta convenção. A encomenda veio de Jean Dollfus, um proeminente industrial e colecionador de arte e relógios, cuja exigência por uma peça de pulso com tal complexidade era, por si só, um ato de vanguarda. Para realizar esta proeza, os mestres relojoeiros da Breguet partiram de uma pequena ébauche (movimento base) de 11 linhas da renomada oficina de Victorin Piguet no Vallée de Joux, um fornecedor de excelência para as mais prestigiadas 'maisons'. Sobre esta base fiável, construíram um intrincado módulo de calendário perpétuo e, de forma ainda mais notável, um mecanismo de data retrógrada. A data retrógrada, uma complicação inventada pelo próprio Abraham-Louis Breguet, onde um ponteiro salta instantaneamente de volta ao início após completar o seu ciclo, era um desafio mecânico imenso para ser miniaturizado com precisão. Sendo uma peça única ('pièce unique'), o Nº 4287 não tem 'gerações' ou 'variações'. A sua evolução histórica reside na sua redescoberta e na crescente apreciação do seu lugar na história. Por décadas, permaneceu numa coleção privada, um segredo conhecido apenas por um círculo restrito de especialistas. O seu reaparecimento em leilões internacionais no século XXI permitiu uma reavaliação completa da sua importância. O Nº 4287 não foi apenas um exercício de estilo; foi uma prova de conceito. Demonstrou que o pulso era uma tela viável para a mais alta expressão da arte relojoeira. O seu impacto foi profundo, embora não imediato devido à crise económica que se seguiu. No entanto, serviu de farol, iluminando o caminho para futuras lendas como o Patek Philippe 1526 e 1518, que surgiriam mais de uma década depois. Para a Breguet, o Nº 4287 é uma afirmação da sua identidade ininterrupta como pioneira, uma peça que encapsula o seu espírito de inovação e a sua mestria inigualável, ligando diretamente a era do seu fundador à da relojoaria de pulso moderna.

CURIOSIDADES

Peça Pioneira: É reconhecido como um dos primeiros, senão o primeiro relógio de pulso a apresentar a combinação de um calendário perpétuo com uma data retrógrada. Sincronicidade Histórica: Foi vendido em outubro de 1929, o mesmo mês do Crash da Bolsa de Wall Street, que mergulhou o mundo na Grande Depressão. Cliente Ilustre: O comissário e primeiro proprietário foi Monsieur Jean Dollfus, um importante industrial alsaciano e um ávido colecionador com um gosto excecionalmente refinado. Recorde em Leilão: O relógio foi vendido pela Christie's em Genebra, em maio de 2011, por um valor impressionante de 404.000 francos suíços, sublinhando a sua extrema raridade e importância histórica. A Base do Movimento: O calibre foi construído sobre uma ébauche de 11 linhas (aprox. 24.8mm) de Victorin Piguet, um dos mais célebres criadores de movimentos complicados do Vallée de Joux. Design Funcional: A disposição do mostrador, com o arco da data retrógrada na parte superior e os sub-mostradores equilibrados abaixo, criou um novo paradigma estético para relógios de pulso complicados, priorizando a legibilidade. Legado Duradouro: Este relógio serviu como uma inspiração direta para a coleção 'Classique' da Breguet moderna, que frequentemente apresenta calendários perpétuos e complicações retrógradas como uma homenagem a esta peça histórica.

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