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Seiko V.F.A. Quartz LED 3923-5010: O Brilho Fugaz do Futuro e a Rara Incursão da Seiko na Era Digital Vermelha


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A única incursão comercial significativa da Seiko na tecnologia LED (Light Emitting Diode) durante a crise do quartzo, antes de focar totalmente no LCD. Parte da linha Very Fine Adjusted.

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RESUMO

Em 1973, no epicentro da crise do quartzo, a Seiko lançou uma peça que era tanto uma declaração de proeza tecnológica como um vislumbre de um futuro alternativo: o V.F.A. Quartz LED Ref. 3923-5010. Representando a única incursão comercial significativa da marca na tecnologia LED (Light Emitting Diode), este relógio foi posicionado no auge do seu catálogo, sob a prestigiosa designação V.F.A. (Very Fine Adjusted). O seu público-alvo não eram os consumidores de massa, mas sim os entusiastas de tecnologia e os indivíduos abastados que desejavam usar o futuro no pulso. A filosofia de design era radicalmente futurista e angular, abandonando os mostradores tradicionais por um ecrã digital vermelho carmesim que se iluminava com o premir de um botão. A sua importância horológica reside na sua raridade e no seu contexto. Simboliza um momento de encruzilhada para a Seiko, que, apesar de demonstrar o domínio da tecnologia LED com este modelo de alta precisão, optou estrategicamente por focar os seus esforços no desenvolvimento da tecnologia LCD, que provou ser mais eficiente em termos energéticos e comercialmente viável. O 3923-5010 permanece, assim, como um fascinante e altamente colecionável capítulo encerrado, um testemunho da experimentação audaciosa da Seiko durante a era mais disruptiva da relojoaria moderna.

HISTÓRIA

No início da década de 1970, o mundo da relojoaria estava em plena convulsão. A tecnologia de quartzo, pioneira da própria Seiko com o Astron de 1969, estava a derrubar séculos de domínio mecânico suíço. Dentro desta revolução, uma batalha tecnológica interna começou a ser travada: LED versus LCD. A Hamilton Pulsar tinha capturado a imaginação do público em 1972 com o seu P2, um relógio de ouro maciço com um misterioso ecrã escuro que se iluminava a vermelho vivo ao toque de um botão. Era a personificação da era espacial e tornou-se um ícone cultural. A Seiko, como líder indiscutível da revolução do quartzo, não podia ignorar esta tendência. Embora os seus engenheiros já estivessem a trabalhar arduamente na tecnologia LCD (Liquid Crystal Display), que consideravam superior a longo prazo devido ao seu consumo de energia drasticamente inferior e à capacidade de exibição constante, a pressão do mercado e a necessidade de demonstrar a sua vanguarda tecnológica levaram à criação do seu próprio relógio LED. No entanto, a Seiko não se limitou a criar um concorrente. Fiel à sua filosofia de precisão e excelência, decidiu que a sua incursão no LED seria um produto de elite. O resultado foi o Calibre 39, lançado em 1973 sob a designação V.F.A. (Very Fine Adjusted). O selo V.F.A. era, na altura, o pináculo da precisão de quartzo da Seiko, garantindo um desvio de apenas ±5 segundos por mês, um feito notável para a época e um desafio direto aos mais rigorosos padrões de cronometria. O modelo mais icónico desta curta série foi a referência 3923-5010. O seu design era uma obra-prima de futurismo 'space-age', com uma caixa de aço inoxidável pesada, angular e assimétrica que parecia esculpida a partir de um único bloco de metal. Era uma peça de design arrojada e sem remorsos, que gritava 'futuro' de uma forma que poucos relógios o fizeram antes ou depois. Operacionalmente, era um produto do seu tempo. Para conservar a vida útil das duas baterias, o ecrã permanecia desligado até que o utilizador pressionasse o botão principal. O ecrã iluminava-se, revelando as horas e os minutos em dígitos vermelhos brilhantes. A experiência era teatral e intencional. No entanto, esta mesma característica era o seu calcanhar de Aquiles. O consumo de energia dos díodos emissores de luz era prodigioso, e a vida útil da bateria era, na melhor das hipóteses, de um ano. A Seiko já sabia que a sua tecnologia LCD, que estava prestes a ser lançada em massa com modelos como o 06LC, era a solução. O LCD consumia uma fração da energia e permitia um ecrã sempre ligado. Consequentemente, a era LED da Seiko foi incrivelmente breve. O 3923-5010 e as suas poucas variantes foram produzidos por um período muito curto, principalmente para o mercado doméstico japonês (JDM). A marca rapidamente mudou o seu foco para o LCD, que viria a dominar o mercado de relógios digitais nas décadas seguintes. O impacto do V.F.A. LED no legado da Seiko é, portanto, paradoxal. Foi um beco sem saída tecnológico para a marca, mas precisamente por essa razão, tornou-se uma lenda entre os colecionadores. É um testemunho da capacidade da Seiko de dominar uma tecnologia de ponta, mesmo que optasse por não a seguir, e representa um momento de pura ambição e experimentação numa das eras mais dinâmicas da história da relojoaria.

CURIOSIDADES

O preço de lançamento em 1973 era de cerca de 150.000 ienes, um valor astronómico na época, equivalente ao de um carro familiar popular no Japão. A sigla V.F.A. (Very Fine Adjusted) era uma garantia de precisão de elite, superando em muito os cronómetros mecânicos suíços e estabelecendo um novo padrão para a cronometragem de pulso. Para acertar o dia e a data, era necessário pressionar um botão embutido na lateral da caixa com a ponta de uma caneta, um método comum em relógios digitais antigos. O Calibre 3923A era um movimento de alta qualidade com 21 joias, um número normalmente associado a movimentos mecânicos de gama alta, demonstrando o compromisso da Seiko com a construção robusta, mesmo num quartzo. Devido ao seu estatuto de modelo exclusivo para o Mercado Doméstico Japonês (JDM), é extremamente raro encontrá-lo fora do Japão, especialmente em bom estado de funcionamento. Muitos exemplares hoje não funcionam devido a um problema comum em relógios antigos: as baterias deixadas no interior por décadas vazaram e corroeram o frágil módulo eletrónico, tornando os modelos funcionais ainda mais valiosos. Ao contrário do seu concorrente Pulsar, que foi usado por celebridades como James Bond e Elvis Presley, o Seiko LED nunca alcançou o mesmo estatuto de ícone da cultura pop, permanecendo mais um tesouro para conhecedores de nicho.

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