RESUMO
O Longines Heritage Classic 'Tuxedo', referência L2.330.4.93.0, lançado em 2020, é amplamente considerado pela crítica horológica como uma das reedições mais bem-sucedidas da indústria moderna. Este relógio não é apenas uma homenagem estética; é uma cápsula do tempo que transporta o usuário diretamente para a exuberância e sofisticação do final da década de 1940. Distinguindo-se pelo seu mostrador bicolor em preto mate e prata opalina, o modelo captura a essência dos relógios de gala da era do pós-guerra, apelidados carinhosamente por colecionadores de 'Tuxedo' devido à semelhança com o traje formal masculino.
O que eleva esta peça ao status de 'futuro clássico' é a retenção obsessiva das proporções e detalhes vintage, combinada com a engenharia suíça contemporânea. A Longines, demonstrando uma rara sensibilidade aos desejos dos puristas, optou por eliminar a janela de data — uma decisão de design crucial que preserva a simetria perfeita do mostrador original. A caixa de 38,50 mm oferece uma vestibilidade contemporânea sem trair a discrição dos modelos de 35 mm da época. Sob o capô, no entanto, reside o moderno calibre L893, exclusivo da Longines, equipado com uma espiral de silício, garantindo precisão cronométrica e resistência magnética. O 'Tuxedo' é, portanto, a síntese perfeita entre o charme visual do 'Jazz Age' e a robustez técnica do século XXI.
HISTÓRIA
A história do Longines Heritage Classic 'Tuxedo' transcende o seu lançamento em 2020; ela está enraizada no otimismo e na libertação estética do final dos anos 1940. Após a Segunda Guerra Mundial, a relojoaria começou a transitar da utilidade militar estrita para a elegância civil. Foi nesta época que surgiram os mostradores segmentados e bicolores, que se tornaram populares tanto em relógios desportivos como em peças de vestuário formal. A Longines, com os seus arquivos vastos e meticulosamente conservados em Saint-Imier, identificou uma peça específica de 1945 como a musa para este projeto.
O modelo original da década de 40 caracterizava-se pelo seu design Art Déco tardio, com um mostrador que apresentava um contraste nítido entre um anel de horas preto e um centro prateado, facilitando a legibilidade sob a luz fraca dos clubes de jazz e salões de baile. Na gíria dos colecionadores americanos, este estilo contrastante ficou conhecido como 'Tuxedo' (smoking), evocando a imagem da formalidade a preto e branco.
Quando a Longines decidiu ressuscitar este ícone em 2020, a marca tomou decisões audazes que a separaram de outros fabricantes de 'heritage'. A primeira foi a fidelidade tipográfica: a marca manteve a fonte 'Longines' histórica e, crucialmente, resistiu à tentação de imprimir a palavra 'Automatic' no mostrador, apesar de o relógio ser automático. Isso manteve o mostrador limpo, tal como nos modelos de corda manual do passado.
A segunda decisão histórica foi técnica. Para posicionar o submostrador de pequenos segundos na posição correta (historicamente, os movimentos modernos tendem a empurrar os submostradores para o centro ou para a borda de forma desproporcional em caixas maiores), a Longines desenvolveu o calibre L893. Este movimento foi projetado especificamente para a linha Heritage, permitindo que o eixo dos pequenos segundos ficasse deslocado para baixo, replicando a geometria visual dos calibres de bolso e de pulso antigos. O resultado é um relógio que não parece uma réplica, mas sim uma continuação ininterrupta de uma linhagem de elegância que a Longines dominou há 80 anos. O 'Tuxedo' de 2020 não é apenas um relógio 'retro'; é uma aula de história horológica sobre como respeitar o passado sem ficar preso a ele tecnologicamente.
CURIOSIDADES
1. O nome 'Tuxedo' nunca apareceu nos catálogos originais da Longines dos anos 40; é um apelido atribuído por colecionadores que a marca adotou oficialmente para esta reedição.
2. Ao contrário da maioria dos relógios modernos que utilizam costuras visíveis nas pulseiras, este modelo utiliza uma correia de couro preto sem costuras aparentes para imitar o acabamento das pulseiras da época.
3. O submostrador dos pequenos segundos possui um acabamento 'azurage' (ranhuras circulares concêntricas) muito fino, que contrasta com o centro opalino, um detalhe visível apenas sob inspeção macro.
4. A utilização de Super-LumiNova com tom bege 'fauxtina' (pátina falsa) foi calibrada especificamente para imitar o rádio envelhecido, mas sem a radioatividade perigosa dos originais.
5. O movimento L893 contém uma espiral de silício, tornando este relógio vintage imune aos campos magnéticos de smartphones e computadores modernos, algo que destruiria a precisão do modelo original de 1945.
6. Este modelo foi lançado simultaneamente com uma versão Cronógrafo 'Tuxedo', mas a versão 'Só Tempo' (esta) é frequentemente considerada a mais fiel às proporções Art Déco devido à sua simplicidade.
7. A ausência da janela de data foi uma resposta direta aos pedidos dos fóruns de colecionadores e historiadores, marcando uma das poucas vezes em que uma grande marca suíça priorizou a estética histórica sobre a conveniência comercial de massa.