RESUMO
Em 1983, um ano emblemático para a inovação tecnológica, a Casio lançou o CFX-200, um instrumento que transcendia a simples medição do tempo para se tornar uma ferramenta computacional de pulso. Este não era apenas mais um relógio digital; era o primeiro relógio do mundo a integrar uma calculadora científica completa. Numa época em que os relógios de quartzo já haviam consolidado o seu domínio, a Casio elevou a fasquia, movendo a batalha da precisão para o campo da funcionalidade. O CFX-200 foi uma declaração audaciosa, visando um público de engenheiros, cientistas, estudantes e qualquer profissional que necessitasse de cálculos complexos à distância de um toque. A sua filosofia de design era de uma utilidade intransigente, onde cada milímetro do seu invólucro era otimizado para a funcionalidade, desde o teclado de 20 botões até ao seu ecrã LCD de matriz de pontos. O seu significado para a horologia é monumental. O CFX-200 não só cimentou a reputação da Casio como a líder indiscutível em 'wrist technology', como também redefiniu as expectativas do que um relógio poderia ser. Foi um precursor direto dos computadores de pulso e dos smartwatches modernos, provando que o pulso era um espaço viável para ferramentas interativas muito além da cronometragem.
HISTÓRIA
O lançamento do Casio CFX-200 em 1983 não foi um evento isolado, mas sim o clímax de uma corrida tecnológica que marcou o final dos anos 70 e o início dos anos 80. Após a crise do quartzo ter reconfigurado a indústria relojoeira, as marcas japonesas, lideradas pela Casio, procuravam diferenciar-se não apenas pela precisão, mas pela integração de funcionalidades inovadoras. A Casio já havia introduzido relógios com calculadora, como o C-80 em 1980, mas estes estavam limitados a operações aritméticas básicas. O CFX-200 representou um salto quântico. Pela primeira vez, a potência de uma calculadora científica de bolso, como as da popular série 'FX' da própria Casio, foi miniaturizada para caber confortavelmente num pulso.
O desafio de engenharia era imenso. A equipa da Casio teve de desenvolver o Módulo 197, um microprocessador capaz de executar funções complexas como trigonometria e logaritmos, e integrá-lo com um teclado físico funcional e um ecrã LCD que pudesse exibir os resultados de forma clara. O design do CFX-200 é um estudo de pragmatismo. A sua caixa retangular, típica da época, foi projetada para maximizar o espaço para o teclado de 20 botões de borracha. Cada botão era minúsculo, muitas vezes necessitando da ponta de uma caneta para uma operação precisa, um compromisso necessário para alcançar uma funcionalidade sem precedentes. Este relógio não era uma joia, era uma ferramenta de precisão para a mente.
O CFX-200 não teve uma longa linhagem de 'gerações' diretas com o mesmo nome, mas o seu impacto foi profundo e duradouro. Ele estabeleceu a base para toda a futura linha de relógios 'Data Bank' da Casio, que expandiria o conceito de 'computador de pulso' para incluir armazenamento de dados, como listas telefónicas. Existiram variações contemporâneas notáveis, sendo a principal o CFX-20, que oferecia exatamente o mesmo módulo e funcionalidades, mas numa caixa de resina preta mais leve e acessível, em contraste com a caixa metálica do CFX-200. Para os colecionadores, encontrar um CFX-200 em estado 'New Old Stock' (NOS) com os seus botões intactos e sem desgaste é o Santo Graal, pois os teclados de borracha eram propensos a degradar-se com o tempo e o uso. O legado do CFX-200 é inegável; ele provou que um relógio podia ser um dispositivo interativo e inteligente, um conceito que demoraria décadas a ser plenamente realizado pela indústria com o advento dos smartwatches. Foi um marco que solidificou a identidade da Casio como uma empresa que não se limitava a seguir tendências, mas que as criava, fundindo a cronometragem com a vanguarda da eletrónica de consumo.
CURIOSIDADES
O irmão em resina: O CFX-200 tinha um modelo gémeo, o CFX-20, que partilhava o mesmo Módulo 197 e todas as suas funções, mas apresentava uma caixa de resina preta, oferecendo uma alternativa mais desportiva e económica.
Um símbolo de 'Nerd-Chic': Embora não esteja associado a uma única celebridade icónica, o CFX-200 e relógios semelhantes tornaram-se símbolos da cultura 'nerd' e tecnológica dos anos 80, aparecendo em pulsos de engenheiros e entusiastas da computação da época.
A maravilha do Módulo 197: O microprocessador no coração do relógio era uma proeza de miniaturização para 1983, concentrando um poder de cálculo que, uma década antes, exigiria um dispositivo de mesa.
Sem alcunhas, apenas respeito: Ao contrário de muitos relógios de colecionador, o CFX-200 nunca ganhou uma alcunha popular. É reverencialmente conhecido na comunidade pelo que é: 'o primeiro relógio com calculadora científica'.
Desafio ergonómico: Os botões minúsculos e densamente compactados eram incrivelmente funcionais, mas difíceis de operar com os dedos. Muitos utilizadores recorriam à ponta de uma caneta ou lápis para introduzir cálculos, um ritual que se tornou uma marca registada da sua utilização.
Peça de museu: Devido à sua importância histórica na computação vestível, exemplares bem conservados do CFX-200 são procurados por colecionadores de tecnologia e museus de ciência e tecnologia, para além dos entusiastas de relógios.
O início de uma dinastia: O sucesso e a tecnologia desenvolvidos para o CFX-200 abriram caminho para a icónica linha Casio Data Bank, que dominou o mercado de 'relógios inteligentes' da sua era com funcionalidades de armazenamento de dados.