RESUMO
No alvorecer da década de 1980, um período de efervescência tecnológica e otimismo futurista, a Seiko consolidou a sua soberania na relojoaria de quartzo com o lançamento de peças que transcendiam a mera medição do tempo. O Seiko Pulsemeter S229-5001, introduzido em 1982, é um arquétipo dessa era de inovação. Não era um relógio de mergulho nem de aviação no sentido tradicional; o seu terreno era o corpo humano, e o seu público-alvo, o atleta moderno e o entusiasta da tecnologia. Com a sua revolucionária capacidade de medir a frequência cardíaca diretamente no pulso, o Pulsemeter não era apenas um relógio, mas um dos primeiros 'wearables' de fitness do mundo. O seu design assimétrico e utilitário, esculpido em resina e aço, rejeitava as convenções estéticas da relojoaria suíça, abraçando uma linguagem visual que parecia extraída diretamente de uma obra de ficção científica. Esta peça é fundamental na história da horologia por ser um elo primordial na cadeia evolutiva que levaria aos smartwatches contemporâneos. Mais do que um instrumento, o S229-5001 representa a audácia da Seiko em transformar o relógio de pulso num computador pessoal, um conceito que definiria o futuro da indústria e, inadvertidamente, cimentaria o seu lugar na cultura pop através do seu sucessor espiritual no grande ecrã.
HISTÓRIA
Lançado em 1982, o Seiko Pulsemeter S229-5001 emergiu num contexto global onde a revolução do quartzo já não era uma novidade, mas sim o campo de batalha para a supremacia tecnológica. A Seiko, como líder indiscutível deste movimento, procurava constantemente redefinir a função de um relógio de pulso. A década de 1980 assistiu também a uma explosão da cultura do fitness e do culto ao corpo, com a corrida e a aeróbica a tornarem-se fenómenos de massa. Foi nesta confluência de avanços tecnológicos e mudanças socioculturais que nasceu o S229. A sua proposta de valor era inédita para o mercado de consumo: um relógio que, para além das suas funções de cronógrafo digital, integrava um sensor biométrico capaz de medir a frequência cardíaca do utilizador. A tecnologia era engenhosa; ao colocar um dedo no sensor metálico proeminente na moldura, o utilizador fechava um circuito elétrico com o fundo da caixa em contacto com o pulso, permitindo ao módulo S229A calcular os batimentos por minuto (BPM) através da detecção dos impulsos elétricos do coração, um princípio semelhante ao de um eletrocardiograma (ECG).
O design do S229-5001 era tão radical quanto a sua tecnologia. A sua forma assimétrica e a construção em resina e aço conferiam-lhe uma estética industrial e futurista, uma clara demarcação dos relógios tradicionais. Esta linguagem de design, embora não oficialmente atribuída, ecoava o trabalho que o designer italiano Giorgetto Giugiaro estava a desenvolver para a Seiko na mesma época, caracterizado por formas ergonómicas e funcionais que pareciam projetadas para um futuro de exploração espacial. A evolução mais significativa do S229 não foi uma revisão do seu próprio design, mas sim o seu sucessor direto, o Seiko S234-501A, lançado pouco tempo depois. O S234 refinou o conceito, apresentando uma construção mais robusta e uma paleta de cores distinta – uma cobertura de resina cinza sobre o módulo central preto. Foi este modelo, o S234, e não o S229 original, que alcançou a imortalidade cultural. Em 1986, o realizador James Cameron equipou os seus Colonial Marines no filme 'Aliens' com o S234-501A, cimentando o seu status como um ícone do design de ficção científica. A associação popular, embora tecnicamente imprecisa, frequentemente atribui o título de 'relógio Aliens' a toda a família Pulsemeter, incluindo o pioneiro S229. O impacto do S229-5001 é, portanto, duplo: foi um pioneiro tecnológico que antecipou em décadas a tendência dos wearables de saúde e fitness, e estabeleceu a base de design para um dos relógios de cinema mais emblemáticos de todos os tempos, garantindo um legado duradouro na horologia e na cultura pop.
CURIOSIDADES
O sucessor direto, Seiko S234-501A, foi o relógio usado pelos Colonial Marines no filme de ficção científica 'Aliens' (1986), de James Cameron. Foi visto no pulso de personagens como o Cabo Hicks (Michael Biehn) e o Soldado Hudson (Bill Paxton).
Devido à sua associação com o filme, a família de relógios (S229 e S234) é coletivamente apelidada de 'Seiko Aliens' pela comunidade de colecionadores. O S234, em particular, é por vezes chamado de 'Hudson'.
A tecnologia do sensor de pulso era notavelmente avançada para a época, utilizando um método de contacto para detetar os impulsos elétricos do coração, em vez dos sensores óticos mais comuns nos dispositivos modernos.
Embora não seja um design confirmado de Giorgetto Giugiaro, a sua estética futurista e assimétrica é frequentemente associada ao espírito do trabalho que o famoso designer italiano realizou para a Seiko nos anos 80, incluindo o modelo 7A28-7000 usado por Ripley no mesmo filme 'Aliens'.
Encontrar um S229-5001 em pleno funcionamento é extremamente raro hoje em dia. A degradação da resina da caixa, a fragilidade das braceletes originais e as falhas no ecrã LCD tornam os exemplares bem conservados objetos de grande desejo para colecionadores de relógios digitais vintage.
Em alguns mercados, o relógio foi comercializado sob o nome 'Seiko Frequency', enfatizando a sua função como uma ferramenta de treino de alta tecnologia para atletas.
Em 2013, a Seiko prestou homenagem a este design icónico ao colaborar com a marca de moda White Mountaineering para lançar uma reedição moderna, demonstrando a influência duradoura do design original.