RESUMO
Lançado no ano 2000 para comemorar o 225º aniversário da Maison, o Breguet Classique 'Jubilé' Ref. 1775 é muito mais do que um simples relógio de cerimónia; é uma declaração de princípios e um marco histórico. Posicionado no ápice da relojoaria clássica, este modelo foi concebido para o colecionador erudito, aquele que valoriza não apenas a complicação mecânica, mas a pureza estética e o artesanato ancestral. A sua filosofia de design é um retorno às origens, uma destilação dos códigos estilísticos que Abraham-Louis Breguet legou ao mundo: a caixa canelada, os ponteiros de 'pomme évidée', os algarismos árabes elegantes e, acima de tudo, um imaculado mostrador em esmalte 'Grand Feu'. Lançado apenas um ano após a aquisição da Breguet pelo Swatch Group, o Jubilé 1775 foi a primeira grande demonstração da visão de Nicolas G. Hayek para a marca: um respeito intransigente pela sua herança, combinado com a mais alta qualidade de execução moderna. Não se trata de um relógio desportivo ou de ferramenta, mas sim de uma peça de arte vestível, um elo direto com a genialidade do seu fundador e um símbolo da sua renascença no século XXI. A sua importância transcende a sua função, representando um momento crucial em que a Breguet reafirmou a sua identidade e o seu lugar no panteão da alta relojoaria.
HISTÓRIA
O Breguet Classique Jubilé, comemorativamente designado como '1775', foi revelado ao mundo em 2000, um momento de profunda transformação para a lendária marca. Em 1999, a Breguet tinha sido adquirida pelo Swatch Group, passando para a tutela visionária do seu presidente, Nicolas G. Hayek. O 225º aniversário da fundação da Maison por Abraham-Louis Breguet em 1775 representou a oportunidade perfeita para Hayek demonstrar a sua estratégia: revitalizar a marca, não através de uma revolução, mas de uma profunda e respeitosa redescoberta do seu ADN. Este relógio não era uma mera edição comemorativa; foi um manifesto. O seu design não se baseou num único predecessor, mas sim na síntese dos ideais estéticos mais puros do próprio A.-L. Breguet. Em vez de optar por uma grande complicação, a marca focou-se na perfeição da simplicidade e na mestria dos ofícios artesanais ('métiers d'art'). A escolha de um mostrador em esmalte 'Grand Feu' foi central para esta visão. Esta técnica antiga, que envolve a vitrificação de pós de sílica a temperaturas superiores a 800°C, cria um mostrador de uma brancura e profundidade inalteráveis, mas o seu processo é tão exigente que a taxa de insucesso é altíssima. Ao ressuscitar esta arte para uma peça de aniversário, a Breguet estava a ligar a sua produção contemporânea diretamente às suas criações de museu. O Jubilé 1775 não conheceu uma 'evolução' no sentido tradicional, pois foi concebido como uma edição limitada e definitiva. As suas únicas variações significativas foram os materiais da caixa, produzidos em platina ou ouro amarelo, ambos em quantidades estritamente limitadas, tornando cada exemplar numa raridade cobiçada desde o seu lançamento. O impacto deste modelo foi imenso. Internamente, estabeleceu um padrão de excelência e autenticidade que guiaria a coleção Classique nas décadas seguintes, influenciando modelos como o Ref. 5177. Para a indústria, serviu como um poderoso lembrete de que a relojoaria clássica e os ofícios tradicionais tinham um lugar vital no novo milénio. Mais do que um relógio, o Classique Jubilé 1775 é um capítulo fundamental na história moderna da Breguet, simbolizando o início de uma era de ouro sob a égide do Swatch Group e solidificando o seu estatuto como um pilar insubstituível da alta relojoaria.
CURIOSIDADES
A referência '1775' não é o número de catálogo oficial do modelo, mas sim uma designação comemorativa que homenageia o ano em que Abraham-Louis Breguet estabeleceu a sua oficina no Quai de l’Horloge, em Paris.
Cada mostrador em esmalte 'Grand Feu' ostenta a famosa 'assinatura secreta' da Breguet, uma assinatura finamente gravada, quase invisível a olho nu, originalmente criada pelo fundador para combater as falsificações no século XVIII.
O calibre base, Frédéric Piguet 11.50, é um movimento ultra-fino lendário, também utilizado por outras marcas de prestígio como a Blancpain e a Vacheron Constantin, atestando a nobre linhagem mecânica do relógio.
O lançamento desta peça é frequentemente considerado pelos colecionadores como o 'marco zero' da renascença da Breguet sob a liderança de Nicolas G. Hayek, que adquiriu a marca no ano anterior e a impulsionou para o sucesso global.
A arte do esmalte 'Grand Feu' é notoriamente difícil. Cada mostrador requer múltiplas cozeduras em forno a temperaturas extremas, e qualquer imperfeição mínima resulta no descarte da peça. Cada mostrador sobrevivente é, portanto, uma pequena obra de arte única.
O rotor de corda em ouro maciço do movimento foi especialmente decorado para esta edição, apresentando um trabalho de guilloché executado à mão e uma gravação específica que assinala o '225ème Anniversaire 1775-2000'.
Devido à sua natureza de edição limitada e ao seu significado histórico, o Jubilé 1775 tornou-se um 'graal' para os puristas da Breguet, alcançando preços significativos no mercado secundário quando raramente aparece em leilão.