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Seiko Credor Locomotive KEK018: A Obra-Prima Perdida de Gérald Genta e o Ícone Japonês do Luxo Desportivo


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Design integrado de aço desenhado por Gérald Genta. Calibre de quartzo, parafusos hexagonais no bisel. Um marco de design raro.

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RESUMO

Lançado em 1979, no auge da era do design de relógios desportivos de luxo, o Seiko Credor Locomotive (Ref. KEK018) representa um capítulo fascinante e muitas vezes esquecido na história da relojoaria. Numa jogada de audácia sem precedentes, a Seiko, através da sua prestigiada linha Credor, comissionou o lendário Gérald Genta — o mesmo génio por trás do Audemars Piguet Royal Oak e do Patek Philippe Nautilus — para criar a sua própria interpretação do ícone de aço integrado. O resultado foi o Locomotive, uma peça que personifica a filosofia de Genta: uma caixa robusta mas elegante, uma bracelete perfeitamente integrada e um bisel marcante, neste caso adornado com seis parafusos hexagonais. Posicionado no segmento mais alto do mercado, o seu alvo era o colecionador sofisticado que valorizava tanto o design de vanguarda europeu como a superioridade tecnológica japonesa, personificada no seu calibre de quartzo de alta precisão. A sua importância transcende a sua extrema raridade; o Locomotive é a prova da ambição da Seiko em competir nos mais altos escalões da relojoaria mundial, não apenas com tecnologia, mas com um design de pedigree indiscutível. É um testemunho de uma colaboração histórica e um artefacto cobiçado que une o Oriente e o Ocidente no pulso.

HISTÓRIA

A história do Credor Locomotive KEK018 é a história de um momento de confluência cultural e relojoeira. No final da década de 1970, o mundo da relojoaria estava a ser remodelado por duas forças: a revolução do quartzo, liderada pela Seiko, e a ascensão do relógio desportivo de luxo em aço, um género praticamente inventado por Gérald Genta. Enquanto as marcas suíças lutavam para se adaptar à nova tecnologia, a Seiko, já mestre do quartzo, olhava para o próximo desafio: conquistar o prestígio e a aura do design de alta relojoaria. Neste contexto, a Seiko tomou uma decisão monumental. Através da sua boutique de luxo Wako, em Ginza, Tóquio, contactou Gérald Genta, o designer mais requisitado da época, para criar um relógio que pudesse ombrear com as suas criações icónicas para a Audemars Piguet e a Patek Philippe. Genta, que já tinha estabelecido a sua linguagem de design com o Royal Oak (1972) e o Nautilus (1976), aplicou os seus princípios característicos ao projeto da Seiko. O nome 'Locomotive' foi escolhido para evocar a beleza industrial, a potência e a engenharia de precisão das locomotivas a vapor, uma inspiração recorrente no trabalho do designer. O KEK018, lançado em 1979, era inconfundivelmente um Genta. Apresentava um bisel proeminente fixado por seis parafusos hexagonais expostos, um mostrador texturizado que captava a luz de forma sublime e uma bracelete perfeitamente integrada que fluía da caixa como uma única peça escultural. Contudo, em vez de um movimento mecânico, o coração do Locomotive era um calibre de quartzo de alta precisão da Seiko, o 6S30A. Esta foi uma declaração ousada, combinando o auge do design suíço com a vanguarda da tecnologia japonesa. Era a Seiko a afirmar que o luxo moderno não estava apenas na tradição mecânica, mas também na inovação e na precisão superior. Produzido em quantidades extremamente limitadas e vendido quase exclusivamente no mercado japonês através da Wako, o Locomotive não alcançou o sucesso comercial dos seus pares suíços. O seu preço elevado e a sua estética ousada tornaram-no um produto de nicho. Consequentemente, o modelo foi descontinuado sem deixar um sucessor direto, tornando-se uma nota de rodapé na vasta história da Seiko. No entanto, com o advento da internet e a globalização da cultura de colecionismo de relógios, o Locomotive foi redescoberto no século XXI. A sua história, a sua ligação direta a Genta e a sua incrível raridade transformaram-no num 'Santo Graal' para colecionadores sérios. Hoje, o Credor Locomotive não é visto como um fracasso, mas como uma obra-prima visionária que estava simplesmente à frente do seu tempo, representando o auge da ambição e da capacidade da Seiko.

CURIOSIDADES

O Designer Lendário: O Locomotive foi desenhado por Gérald Genta após o Royal Oak e o Nautilus, sendo considerado por muitos colecionadores como a 'terceira peça' não oficial da sua trilogia de relógios desportivos de aço. Exclusividade Wako: O relógio foi vendido exclusivamente na prestigiada loja de departamentos Wako em Ginza, Tóquio, que é propriedade da Seiko, sublinhando o seu posicionamento como um artigo de luxo de topo. Inspiração Industrial: O nome 'Locomotive' e os parafusos hexagonais foram inspirados diretamente na engenharia e estética das locomotivas a vapor, uma fascinação de Genta pela união de poder e design. O Motivo Hexagonal: A forma hexagonal não se limita aos parafusos do bisel; é subtilmente repetida no design da coroa e em elementos da bracelete, criando uma linguagem de design coesa. Redescoberta Digital: Durante décadas, o modelo foi praticamente desconhecido fora do Japão. A sua redescoberta por fóruns de colecionadores online no início dos anos 2000 catapultou o seu estatuto e valor, tornando-o um ícone 'cult'. Coração de Quartzo: A escolha de um movimento de quartzo não foi por uma questão de custo, mas sim uma declaração de superioridade tecnológica da Seiko durante a era em que a precisão do quartzo era o pináculo da inovação relojoeira. Sem Sucessor: Ao contrário do Royal Oak e do Nautilus, que deram origem a coleções inteiras, o Locomotive foi um projeto único e sem continuação direta, o que aumenta o seu mistério e desejo entre os entusiastas.

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