RESUMO
Em 1989, um momento decisivo na história da Casio, o G-Shock AW-500 emergiu como uma declaração audaciosa e uma maravilha da engenharia. Até então, o conceito de 'resistência absoluta' do G-Shock era sinónimo de robustos displays digitais de cristal líquido. A ideia de que os delicados ponteiros e as engrenagens de um movimento analógico poderiam sobreviver aos mesmos testes de tortura parecia um paradoxo horológico. O AW-500 quebrou essa barreira, tornando-se o primeiro G-Shock analógico-digital da história. O seu posicionamento no mercado foi revolucionário; visava não apenas o público tradicional do G-Shock, que exigia durabilidade extrema para atividades desportivas ou profissionais, mas também um novo segmento que apreciava a legibilidade clássica e a estética de um mostrador analógico. A sua filosofia de design centrou-se numa pureza minimalista e funcional, eliminando todos os elementos supérfluos para focar na tarefa monumental de proteger o seu coração analógico. A importância do AW-500 transcende a sua função. Ele provou que a inovadora estrutura de proteção da Casio era uma plataforma versátil, capaz de abrigar diferentes tecnologias de cronometragem. Ao fazê-lo, abriu o caminho para a vasta e diversificada gama de modelos analógicos e ana-digi que hoje definem as linhas de topo da marca, como a série Master of G e a luxuosa coleção MR-G, solidificando o seu lugar como um marco indispensável na cronometria moderna.
HISTÓRIA
Lançado em 1989, o G-Shock AW-500 nasceu numa era em que a marca já se tinha estabelecido firmemente como o pináculo dos relógios digitais indestrutíveis, graças ao sucesso monumental do seu antecessor de 1983, o DW-5000C. O desafio que a equipa de Kikuo Ibe se propôs era audacioso: transplantar a alma da 'resistência absoluta' para um corpo analógico. Na época, a sabedoria convencional ditava que os componentes mecânicos de um relógio analógico – os seus ponteiros finos, o motor de passo e a delicada engrenagem – eram inerentemente frágeis e incapazes de suportar as mesmas forças G que um módulo digital de estado sólido. O AW-500 foi a resposta desafiadora da Casio a este ceticismo. O desenvolvimento foi uma odisseia de engenharia. A estrutura oca da caixa e o conceito de módulo flutuante, pilares da tecnologia G-Shock, foram reimaginados para proteger um mecanismo com partes móveis. A inovação crucial residiu na criação de ponteiros feitos de uma resina extremamente leve. Esta escolha reduziu drasticamente a inércia durante um impacto, evitando que os ponteiros se dobrassem, partissem ou se deslocassem do seu eixo – um problema que atormentava os relógios analógicos convencionais em condições extremas. O design do AW-500 foi um exercício de contenção deliberada. Em contraste com a forma quadrada e angular dos seus irmãos digitais, o AW-500 adotou uma caixa redonda, simétrica e notavelmente limpa. O objetivo era criar um relógio que fosse inequivocamente um G-Shock em funcionalidade, mas com uma estética mais universal e clássica. O mostrador, despojado de elementos desnecessários, apresentava uma legibilidade clara, com o pequeno ecrã digital discretamente posicionado às 6 horas, preservando a harmonia visual. Durante muitos anos, o AW-500 permaneceu como uma peça de culto, um 'pioneiro esquecido' apreciado por conhecedores que entendiam a sua importância histórica. Enquanto a Casio expandia a sua linha analógica com modelos cada vez mais complexos, o AW-500 original foi descontinuado, tornando-se um item de coleção. A sua relevância foi reafirmada de forma espetacular em 2020, quando a Casio ressuscitou o design icónico com o lançamento da série AWM-500, uma reinterpretação premium em metal, e do AW-500G, uma fiel reedição em resina. Este renascimento não foi apenas um ato de nostalgia, mas um reconhecimento do impacto duradouro do modelo. O AW-500 não foi apenas o primeiro G-Shock analógico; foi a prova de conceito que permitiu à marca evoluir para além das suas origens digitais, transformando o G-Shock numa plataforma horológica verdadeiramente abrangente e estabelecendo um legado de inovação que continua a definir a indústria.
CURIOSIDADES
O design do AW-500 foi concebido sob o princípio de 'eliminar tudo o que é desnecessário', resultando na sua estética minimalista e funcional que o distingue dos designs mais complexos que se seguiram.
Para aumentar a resistência ao choque e conservar energia, o ponteiro dos minutos não se move continuamente, mas sim em incrementos a cada 20 segundos.
Os ponteiros foram fabricados em resina leve, uma inovação fundamental para minimizar a força de inércia sob impacto e evitar que se danificassem ou deslocassem.
Apesar da sua importância histórica, o AW-500 foi durante muito tempo uma peça subestimada no colecionismo, ofuscada pelos icónicos modelos 'quadrados', o que lhe valeu o estatuto de 'herói anónimo' entre os entusiastas.
O seu ressurgimento em 2020 com a linha AWM-500 totalmente em metal celebrou o design original, trazendo-o para um público de luxo e solidificando o seu status de ícone intemporal.
A colocação do ecrã digital às 6 horas foi uma escolha deliberada para criar uma simetria vertical perfeita no mostrador, uma raridade em relógios ana-digi da época.
O modelo original AW-500-1E, com os seus subtis detalhes em vermelho nos marcadores e no texto, é considerado o 'graal' para os colecionadores desta referência específica.