Logo Time66
Foto do Perfil

Confira as vantagens do Assinante!

Ver Assinatura

Seiko 38SQW (Calibre 3823 V.F.A.) - O Titã de Quartzo que Democratizou a Precisão e Desencadeou uma Revolução


Compartilhar postagem:

O primeiro relógio de quartzo produzido em volume (série 38), sucedendo o Astron de produção limitada. Introduziu a tecnologia CMOS IC.

Avaliar
Últimos comentários


RESUMO

Lançado em 1971, o Seiko 38SQW, especificamente os modelos equipados com o calibre 3823 V.F.A. (Very Fine Adjusted), representa um dos momentos mais sísmicos da história da relojoaria do século XX. Sucedendo o lendário mas extremamente limitado Astron de 1969, a série 38 foi a arma com que a Seiko transformou a tecnologia de quartzo de uma curiosidade exótica e proibitivamente cara numa força de mercado dominante. Este não era um relógio de nicho; foi o primeiro relógio de quartzo do mundo a ser produzido em volume, um feito possibilitado pela introdução pioneira do circuito integrado CMOS, que reduziu drasticamente o consumo de energia. Posicionado no auge do catálogo da Seiko, o 3823 V.F.A. era um relógio de luxo, um 'dress watch' tecnológico destinado a um público que valorizava a precisão absoluta e a inovação de ponta acima de tudo. O seu design refletia a era, com caixas angulares e ousadas, muitas vezes com braceletes integradas, que abrigavam uma tecnologia que superava qualquer relógio mecânico em performance. A sua importância não pode ser subestimada: o 38SQW V.F.A. não apenas estabeleceu um novo padrão de precisão, garantindo uns espantosos ±5 segundos por mês, como também sinalizou o início da 'Crise do Quartzo', provando que a produção em massa de relógios de alta precisão era o futuro, um futuro que a Seiko estava a liderar de forma decisiva.

HISTÓRIA

A história do Seiko 38SQW V.F.A. é a história da materialização de uma revolução. Após chocar o mundo em 1969 com o Astron 35SQ, o primeiro relógio de pulso de quartzo, a Seiko enfrentou um desafio ainda maior: transformar essa tecnologia de vanguarda, produzida em lotes minúsculos e a um custo astronómico, num produto comercialmente viável. O Astron era a prova de conceito; a série 38, lançada apenas dois anos depois, em 1971, foi a execução em massa que mudou a indústria para sempre. O avanço tecnológico crucial que permitiu esta transição foi o desenvolvimento interno pela Seiko do circuito integrado CMOS (Complementary Metal-Oxide-Semiconductor). Esta inovação reduziu o consumo de energia para uma fração do que era necessário no Astron, permitindo o uso de baterias mais pequenas e uma produção em escala industrial. O Calibre 3823 foi a joia da coroa desta nova série. Dentro da gama, a designação V.F.A. (Very Fine Adjusted) era reservada para o pináculo absoluto de performance. Estes movimentos não eram apenas montados; eram meticulosamente ajustados e regulados durante um longo período para garantir uma precisão fenomenal de ±5 segundos por mês. Este padrão superava em ordens de magnitude a performance dos melhores cronómetros mecânicos suíços da época. Os relógios que albergavam o calibre 3823 V.F.A. eram obras de arte tecnológicas, com um design que ecoava o seu espírito futurista. As caixas abandonavam as curvas clássicas por formas ousadas e angulares, influenciadas pela filosofia de design 'Grammar of Design' da Seiko, mas adaptadas para uma nova era. Mostradores com texturas complexas, como acabamentos 'geados' ou raiados, e índices multifacetados que brincavam com a luz, sublinhavam o seu estatuto de objeto de luxo. Referências como a 3823-7000 tornaram-se icónicas pelo seu design distinto. O impacto da série 38 foi profundo. Ao colocar a precisão do quartzo ao alcance de um mercado mais vasto (embora ainda a um preço premium), a Seiko redefiniu o conceito de um relógio de alta performance. Deixou de ser um domínio exclusivo de delicados mecanismos artesanais e passou a ser uma questão de superioridade eletrónica e industrial. Para a indústria suíça, que inicialmente desdenhou o quartzo como uma moda passageira sem 'alma', o sucesso comercial e a superioridade técnica da série 38 foram um golpe devastador, acelerando a 'Crise do Quartzo' que levaria muitas marcas históricas à beira da extinção. Para a Seiko, consolidou a sua reputação não apenas como um fabricante de relógios, mas como um líder tecnológico global.

CURIOSIDADES

No seu lançamento em 1971, um Seiko Quartz V.F.A. tinha um preço de retalho no Japão comparável ao de um carro popular, como um Toyota Corolla, sublinhando o seu estatuto de item de luxo tecnológico. A sigla V.F.A. no mostrador era uma declaração de performance, garantindo uma precisão que a indústria suíça, com o seu padrão 'Chronometer', não conseguia igualar na época. Os cristais de quartzo usados nos movimentos V.F.A. eram cultivados nas próprias instalações da Seiko e envelhecidos artificialmente durante vários meses para garantir a máxima estabilidade e performance a longo prazo. O Calibre 3823 foi um dos primeiros movimentos a incorporar uma função de 'salto de segundo', onde o ponteiro dos segundos se move em incrementos distintos de um segundo, um traço hoje sinónimo de relógios de quartzo, mas que na altura era uma novidade visual. Ao contrário do Astron, que era uma peça de museu viva, a série 38 foi desenhada para o uso diário, incluindo características práticas como uma escotilha na traseira da caixa para facilitar a troca da bateria pelo próprio utilizador. O circuito integrado CMOS desenvolvido para este relógio não foi apenas uma revolução para a relojoaria, mas também um marco importante na história da microeletrónica de baixo consumo, tecnologia que hoje está presente em quase todos os dispositivos portáteis. Apesar de não ter um apelido singular como 'Pogue' ou 'Tuna', os colecionadores referem-se a estes modelos com reverência, simplesmente como 'os V.F.A.', um testemunho do seu estatuto lendário.

Você pode gostar

Ver Mais

Marcas