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Casio VivCel VCL-100: O Gênio Esquecido que Anunciou Silenciosamente a Era dos Wearables


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O primeiro relógio de pulso do mundo com função de alerta vibratório, projetado para detectar sinais de chamadas de telefones celulares da época e vibrar no pulso do usuário.

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RESUMO

Em meados da década de 1990, um período de otimismo tecnológico desenfreado, a Casio lançou uma criação que era simultaneamente um produto de seu tempo e uma profecia do futuro: o VivCel VCL-100. Lançado em 1994, este não era um relógio de mergulho, de aviação ou de gala. O seu habitat natural era a maleta do profissional de negócios e o pulso do 'early adopter' tecnológico. A sua filosofia de design era puramente funcional, uma resposta direta a um novo dilema da era moderna: a chamada perdida. Numa época em que os telemóveis eram grandes e frequentemente guardados em malas ou no silêncio de uma sala de reuniões, o VCL-100 oferecia uma solução engenhosa e discreta. Ele foi o primeiro relógio de pulso do mundo equipado com uma função de alerta vibratório projetada para detetar os sinais de rádio de uma chamada recebida num telemóvel, alertando o utilizador com uma vibração silenciosa. A sua importância horológica não reside em complicações mecânicas, mas na sua visão pioneira. O VivCel não era apenas um relógio; era um periférico, um acessório para outro dispositivo eletrónico, estabelecendo um precedente conceptual que levaria décadas a ser plenamente realizado. Ele representa o primeiro passo concreto da relojoaria em direção ao mundo interconectado, um precursor direto dos smartwatches que hoje dominam o mercado, tornando-o uma peça fundamental na história da tecnologia vestível.

HISTÓRIA

A história do Casio VivCel VCL-100 é a história de uma inovação que chegou talvez uma década antes do seu tempo. Lançado em 1994, o mundo vivia a aurora da revolução da comunicação móvel. Os telemóveis, embora cada vez mais comuns, ainda eram dispositivos analógicos, volumosos e caros, operando em redes como AMPS (Advanced Mobile Phone System). Eram ferramentas de negócios essenciais, mas a sua natureza tornava fácil perder uma chamada crucial, especialmente em ambientes ruidosos ou quando o decoro exigia silêncio. A Casio, sempre na vanguarda da integração de novas tecnologias nos relógios de pulso, identificou este problema e concebeu uma solução que era pura ficção científica para a época. O VCL-100 não se conectava ao telemóvel através de qualquer protocolo que hoje reconheceríamos. Em vez disso, alojava um circuito recetor notavelmente sensível e uma pequena antena retrátil. Quando estendida, esta antena 'escutava' o espectro de radiofrequência, especificamente a banda de 800-900 MHz. Ela foi calibrada para detetar a explosão de sinal que uma torre de celular enviava para um telemóvel analógico momentos antes de este começar a tocar. Ao detetar este sinal, o Módulo 1192 ativava um pequeno motor de vibração, o mesmo tipo de tecnologia que mais tarde se tornaria padrão em todos os telemóveis. O resultado era um alerta tátil, privado e infalível. O design do VivCel era inconfundivelmente Casio dos anos 90: uma caixa de resina angular e funcional, um mostrador digital repleto de informações e a característica mais distintiva, a antena prateada que se estendia a partir do topo da caixa. Não existiram 'gerações' ou evoluções significativas do VCL-100. Foi um relâmpago de genialidade, um modelo singular que abordou um problema tecnológico muito específico. Com a rápida transição das redes celulares de analógicas para digitais (GSM, CDMA) no final dos anos 90, a sua método de deteção passiva tornou-se obsoleto. As redes digitais comunicavam com os aparelhos de uma forma diferente, que o recetor do VivCel não conseguia interpretar. Consequentemente, o relógio teve uma vida útil de produção curta e desapareceu do mercado, tornando-se uma nota de rodapé tecnológica. No entanto, o seu impacto transcende largamente o seu sucesso comercial. O VCL-100 plantou a semente da ideia de que o pulso era o local ideal para receber notificações do mundo digital. Foi o primeiro dispositivo a criar uma ponte funcional, embora rudimentar, entre o relógio e o telemóvel. Hoje, no meio da era dos smartwatches que estão perpetuamente conectados via Bluetooth, o VivCel VCL-100 é reverenciado por colecionadores de nicho como uma peça seminal, um verdadeiro 'elo perdido' na evolução da tecnologia vestível.

CURIOSIDADES

O nome 'VivCel' é uma aglutinação das palavras 'Vibração' e 'Celular', descrevendo a sua função principal de forma sucinta. A antena retrátil era crucial para a sua funcionalidade. Quando recolhida, a capacidade de deteção do relógio era severamente limitada, tornando a sua extensão um ritual necessário para os utilizadores. Devido à sua natureza de deteção de radiofrequência, o VCL-100 podia por vezes gerar 'vibrações fantasma', sendo acionado por outras fontes de sinais de rádio potentes, não apenas por telemóveis. É frequentemente considerado o avô espiritual do smartwatch. Embora a sua tecnologia seja primitiva para os padrões atuais, o seu conceito central — receber notificações de um dispositivo de comunicação no pulso — é a base da funcionalidade dos 'wearables' modernos. Existem pelo menos duas variantes conhecidas: a VCL-100-1A (preto com detalhes em vermelho) e a mais rara VCL-100-3A (cinzento escuro com detalhes em verde-azulado), ambas altamente procuradas por colecionadores. A tecnologia tornou-se obsoleta tão rapidamente com a chegada das redes digitais que muitos dos exemplares sobreviventes são encontrados em condição de 'novo em caixa', comprados como uma novidade e rapidamente postos de lado. Apesar da sua importância histórica, não se conhece nenhuma celebridade ou figura pública proeminente que o tenha usado, o que aumenta o seu status de 'cult classic' entre os entusiastas de relógios vintage digitais.

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