RESUMO
Lançada em 2018, a referência 5517 representa a mais audaciosa e contemporânea reinterpretação da coleção Marine da Breguet. Este relógio não é apenas uma atualização, mas uma completa reinvenção, posicionando a marca de forma assertiva no ultracompetitivo segmento de relógios desportivos de luxo. A sua filosofia de design quebra com o classicismo das gerações anteriores, adotando uma estética mais robusta, integrada e tecnicamente avançada. O alvo é um colecionador moderno que reverencia o património histórico de Abraham-Louis Breguet — especificamente a sua nomeação como Relojoeiro da Marinha Real Francesa — mas que exige um relógio versátil, capaz de transitar de um iate para uma sala de reuniões com igual desenvoltura. A introdução do titânio na coleção regular foi um movimento seminal, oferecendo leveza, resistência e um apelo vanguardista que contrastava com a tradição de metais preciosos da casa. A significância do Marine 5517 reside na sua capacidade de fundir o ADN da Breguet — como o canelado da caixa e o guilloché magistral — com códigos de design do século XXI, como as garras centrais integradas e uma legibilidade aprimorada. É a prova de que uma das mais antigas e veneráveis manufaturas pode, e deve, evoluir de forma decisiva, estabelecendo um novo padrão para a elegância desportiva na alta relojoaria.
HISTÓRIA
A história da referência 5517 é a história de uma revolução calculada, orquestrada pela Breguet em 2018 para revitalizar a sua emblemática coleção náutica. Lançada no palco da Baselworld, esta terceira geração da linha Marine marcou uma rutura dramática com o passado, respondendo à crescente hegemonia dos relógios desportivos de luxo com uma proposta inequivocamente moderna. Para compreender a sua importância, é crucial olhar para os seus predecessores. A primeira geração, introduzida em 1990, era essencialmente um relógio de vestir com inspiração náutica, combinando a elegância clássica da Breguet com uma maior robustez e resistência à água. Em 2005, a segunda geração, liderada pela referência 5817, solidificou a identidade desportiva da coleção. Apresentou caixas maiores, protetores de coroa proeminentes e o agora icónico motivo guilloché de ondas no centro do mostrador, estabelecendo-se como uma alternativa sofisticada aos seus concorrentes, mas ainda muito ancorada num design com garras tradicionais e uma sensibilidade mais clássica. A chegada da referência 5517 em 2018 foi, portanto, um terramoto estilístico. A Breguet desmantelou a arquitetura familiar da caixa, introduzindo um sistema de garras centrais que se fundem diretamente com a bracelete. Este design integrado, uma característica fundamental dos ícones do design desportivo moderno, conferiu ao relógio uma silhueta fluida, poderosa e coesa. A estética foi completamente reimaginada: o padrão de ondas em guilloché, antes confinado ao centro, expandiu-se para cobrir toda a superfície do mostrador, criando uma tela dinâmica e texturizada. Os numerais romanos, uma assinatura da marca, foram redesenhados para serem mais ousados e preenchidos com material luminescente, assim como os famosos ponteiros Breguet, que foram facetados e alargados para uma legibilidade superior. A escolha do titânio para o modelo base de três ponteiros foi uma declaração de intenções. Este material, leve e altamente resistente, posicionou o 5517 não como uma peça de cofre em metal precioso, mas como um companheiro de alto desempenho para o uso diário. No seu interior, o calibre 777A, com os seus componentes de vanguarda em silício, reforçou a proeza técnica da Breguet. O impacto desta terceira geração foi profundo. Embora inicialmente tenha dividido os puristas, o seu design arrojado e especificações técnicas impecáveis atraíram com sucesso uma nova geração de colecionadores para a marca, provando que a herança de Breguet não era um artefacto histórico, mas uma base viva para a inovação contínua. A referência 5517 não apenas atualizou a coleção Marine; redefiniu-a para o século XXI.
CURIOSIDADES
O nome da coleção é uma homenagem direta à nomeação de Abraham-Louis Breguet como 'Horloger de la Marine Royale' (Relojoeiro da Marinha Real Francesa) em 1815, um dos títulos mais prestigiados da época.
O contrapeso do ponteiro dos segundos é artisticamente moldado para representar a letra 'B' no código internacional de sinais marítimos, um detalhe subtil e engenhoso.
O padrão de ondas no mostrador, apesar da estética moderna do relógio, é executado manualmente numa máquina de guilhochar 'rose engine' tradicional, uma arte que exige anos de mestria.
A massa oscilante (rotor) do calibre 777A, visível através do fundo de safira, é esculpida em ouro maciço 18k e assume a forma de um leme de navio, reforçando o tema náutico em cada detalhe.
O design das garras centrais integradas não é apenas visual; foi projetado para criar uma transição perfeitamente fluida e ergonómica entre a caixa e a bracelete, eliminando a aparência de garras tradicionais.
O lançamento de 2018 marcou a primeira vez que o titânio foi usado num modelo não limitado dentro da coleção Marine, sinalizando um compromisso da Breguet com materiais de performance modernos.