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Aquastar Airstar "Duward" (1965): O Santo Graal dos Cronógrafos de Mergulho com Calibre Valjoux 72


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Cronógrafo extremamente raro (cerca de 200 peças), co-assinado pela Duward para a Espanha. Movido pelo lendário calibre Valjoux 72, é o Santo Graal da Aquastar, combinando resistência de 20 ATM com a precisão de três contadores.

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RESUMO

O Aquastar Airstar, particularmente na sua rara iteração co-assinada pela "Duward", representa um dos capítulos mais fascinantes e elusivos da história da relojoaria de mergulho da década de 1960. Lançado por volta de 1965, este modelo é unanimemente classificado por historiadores e colecionadores horológicos como o "Santo Graal" da Aquastar. Ao contrário do foco tradicional da marca suíça em relógios de mergulho de três ponteiros ou cronógrafos especializados de regata, o Airstar introduziu um cronógrafo tradicional de três contadores (configuração tri-compax) abrigado numa caixa de aço inoxidável incrivelmente robusta, garantindo uma impressionante resistência à água de 20 ATM (200 metros). A presença da inscrição "Duward" no mostrador reflete uma parceria estratégica de co-branding para o mercado ibérico, permitindo à Aquastar introduzir os seus instrumentos de precisão em Espanha durante um período de restrições de importação. Estima-se que a produção global do Airstar tenha sido microscópica, não ultrapassando as 200 unidades, sendo a variante Duward uma fração ainda menor desse já raro contingente. No coração deste relógio-ferramenta bate o reverenciado calibre Valjoux 72, um movimento cronógrafo de corda manual com roda de colunas, aclamado internacionalmente pela sua robustez e engenharia arquitetónica clássica. A conjugação da mestria em estanicidade da Aquastar com a altíssima qualidade mecânica do Valjoux 72, envolta numa estética funcional de alta legibilidade, consagra o Airstar como uma obra-prima absoluta dos relógios utilitários de meados do século XX.

HISTÓRIA

A fundação da Aquastar em 1962, pelas mãos do visionário relojoeiro, velejador e mergulhador Frédéric Robert em Genebra, marcou o início de uma manufatura inteiramente dedicada à conceção de instrumentos marítimos e subaquáticos de extrema precisão. Na década de 1960, a exploração subaquática profissional e recreativa atravessava a sua era dourada, alavancada por pioneiros como Jacques-Yves Cousteau. A necessidade por ferramentas fiáveis no fundo do oceano ditava a evolução veloz da relojoaria desportiva. Enquanto a Aquastar rapidamente consolidava a sua reputação através de peças inovadoras, como o Benthos 500 (o primeiro relógio de mergulho não-monobloco a atingir profundidades de 500 metros), identificou-se um nicho não explorado para um cronógrafo tri-compax totalmente funcional sob a água. É precisamente neste contexto de elevada exigência técnica que nasce, em 1965, o Aquastar Airstar. A nomenclatura "Airstar" sugere uma dualidade de funções raras, indicando um instrumento desenvolvido para suprir tanto exigências aeronáuticas quanto parâmetros de mergulho profundo, destacando-o no restante catálogo quase exclusivamente aquático da marca. A engenharia central deste modelo divergia radicalmente da arquitetura até então seguida pela Aquastar. Em vez de encomendar calibres modificados à Felsa ou à Lemania, a empresa selecionou o venerável calibre Valjoux 72. Este movimento mecânico de corda manual a operar a 18.000 vph (2.5 Hz) era amplamente reconhecido pela sua fiabilidade insuperável e ébauche soberbo, sendo notoriamente o mesmo "motor" adotado pela Rolex para os seus primeiros e mais valiosos Cosmograph Daytona. A implementação de um mecanismo cronográfico tradicional num invólucro estanque até 20 ATM (200 metros) revelou-se um desafio formidável. Requerendo o desenvolvimento rigoroso de um complexo sistema de vedação cilíndrica, a Aquastar conseguiu selar os botões do cronógrafo contra elevadas pressões hidrostáticas sem necessitar de perfis de enroscar. A assinatura "Duward" no mostrador expõe de forma fascinante os complexos acordos comerciais suíços do meio do século. A Duward era uma potência na distribuição ibérica, estabelecida em Espanha na década de 1930. Devido às duras leis de importação protecionistas impostas sob o regime Franquista na década de 60, empresas suíças forjavam alianças com a Duward para conseguirem penetrar no mercado de retalho. Os relógios importados da Suíça ganhavam a inscrição de co-branding, beneficiando automaticamente da sólida confiança que o exigente público espanhol depositava na Duward, facilitando a sua aceitação imediata em clubes náuticos ibéricos de elite. O paradigma de produção do Airstar constitui uma anomalia na relojoaria. Em virtude dos proibitivos custos associados à aquisição do intricado movimento Valjoux 72 em conjunção com as inovadoras caixas estanques e patentes associadas, o Airstar competia num segmento de preço altamente saturado por titãs como a Omega ou a Breitling. Este posicionamento elitista condicionou severamente as vendas, levando historiadores contemporâneos a estimar de forma conservadora que menos de 200 exemplares tenham chegado às bancas mundialmente antes da interrupção do seu fabrico. Deste montante exíguo, a sub-variante com a co-assinatura da Duward compõe uma percentagem mínima. O intenso desgaste provocado por incursões em água salgada, a frágil natureza de calibres manuais quando a selagem da caixa falha, bem como a efémera janela temporal em que foram produzidos, contribuíram em conjunto para uma minúscula taxa de sobrevivência deste modelo até à atualidade. No seleto universo do colecionismo contemporâneo de "tool watches" e cronógrafos históricos, o Aquastar Airstar "Duward" é reverenciado quase religiosamente como um vestígio mitológico de beleza utilitária sem concessões.

CURIOSIDADES

- O nome 'Airstar' é considerado uma anomalia nominal no catálogo clássico da Aquastar, que tradicionalmente reservava sufixos puramente marinhos ou de flora oceânica (como Deepstar, Seatime ou Benthos) para batizar as suas criações. - O reverenciado movimento cronográfico Valjoux 72 utilizado neste modelo, operando a tradicionais 18.000 vibrações por hora, é a exata base mecânica encontrada em verdadeiras lendas da década de 60, como o Rolex Daytona "Paul Newman" e o Enicar Sherpa Graph. - Ao invés dos cliques unidirecionais dos relógios modernos, o bisel em alumínio de marcação do Airstar girava nas duas direções e dependia de um sistema calibrado de altíssima fricção física para evitar ser acidentalmente rodado e corromper os tempos de descompressão do mergulhador. - A histórica parceria institucional com a Duward não foi uma exclusividade deste modelo restrito; a gigante retalhista espanhola distribuiu com sucesso várias linhas co-assinadas nos anos 60 e 70, englobando também versões regionais do Aquastar Seatime e do Aquastar Grand-Air. - Na atualidade, um raro exemplar do Airstar 'Duward' mantido no seu estado não-polido, em virtude da ausência de documentação de produção e sendo amplamente escasso (estimativas apontam para cerca de 200 unidades globais de todas as versões do Airstar), atinge consistentemente avaliações de topo em prestigiadas leiloeiras baseadas em Genebra ou Nova Iorque. - Embora ostente uma certificação de 20 ATM formidável para a sua época, as infiltrações de humidade eram frequentes caso o utilizador, desatento, acionasse inadvertidamente um dos botões por debaixo de água, resultando no frequente desgaste visível nos relógios que sobreviveram aos dias de hoje, cujos índices e contadores frequentemente apresentam marcantes pátinas descoloridas.

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