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Aquastar Deepstar "Big Eye" Valjoux 23 (1965): O Cronógrafo de Mergulho da Era Cousteau


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Raro cronógrafo de mergulho com mostrador tropical e submostrador superdimensionado (Big Eye). Equipado com o robusto calibre Valjoux 23 de corda manual. Modelo icônico testado por Jacques Cousteau na embarcação Calypso. Altamente cobiçado em leilões.

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RESUMO

O Aquastar Deepstar, introduzido em meados da década de 1960, representa um dos marcos mais significativos na evolução dos cronógrafos de mergulho profissionais. Fundada por Frédéric Robert em 1962, a Aquastar dedicou-se exclusivamente à criação de instrumentos subaquáticos rigorosos para uso técnico. O modelo Deepstar "Big Eye" de 1965, equipado com o reverenciado calibre cronógrafo de roda de colunas Valjoux 23 de corda manual, destaca-se pelo seu icónico submostrador superdimensionado de 30 minutos posicionado às 3 horas, desenhado para otimizar a legibilidade instantânea em ambientes de baixa visibilidade subaquática. Além da sua estética assimétrica e estritamente funcional, a verdadeira inovação técnica deste modelo reside na sua luneta rotativa bidirecional patenteada, que incorpora uma escala de descompressão para múltiplos mergulhos, uma ferramenta de sobrevivência vital antes do advento dos computadores de mergulho modernos. A notoriedade histórica do Deepstar foi permanentemente consolidada através da sua associação estreita com Jacques-Yves Cousteau e a equipa da embarcação Calypso, que adotaram e testaram rigorosamente o relógio durante as missões Précontinent III (Conshelf III) em 1965. Hoje, exemplares sobreviventes da década de 60 que apresentam mostradores "tropicais" — uma descoloração natural e quimicamente induzida da pátina negra original para tons castanhos e caramelizados devido à radiação UV e à reação da matéria luminosa — são considerados artefatos horológicos de extrema raridade. A sua caixa robusta em aço inoxidável, a precisão mecânica do movimento clássico a 18.000 alternâncias por hora e o pedigree inegável de exploração oceânica elevam o Aquastar Deepstar "Big Eye" à categoria de um dos cronógrafos de ferramentas mais cobiçados no mercado de leilões de elite.

HISTÓRIA

A genealogia do Aquastar Deepstar "Big Eye" está intrinsecamente ligada à época dourada da exploração oceanográfica submarina da década de 1960. A marca Aquastar foi estabelecida em 1962, em Genebra, pelo visionário Frédéric Robert, um relojoeiro, matemático e praticante assíduo de mergulho autónomo que identificou uma grave lacuna no mercado para relógios concebidos estritamente como instrumentos de segurança e suporte de vida para mergulhadores. Em oposição às grandes casas horológicas clássicas que adaptavam relógios desportivos preexistentes para tolerar a água, a Aquastar operava sob a premissa de que os seus instrumentos nasciam do oceano para o oceano. O lançamento do Deepstar marcou uma revolução silenciosa, mas profunda, no campo dos cronógrafos de mergulho. Enquanto a maioria dos modelos contemporâneos confiava em lunetas simples marcadas de 0 a 60 minutos, Robert concebeu e patenteou (em colaboração com o mergulhador e cientista Marc Jasinski) uma luneta de descompressão concêntrica inovadora. Este bezel permitia aos mergulhadores calcular com precisão o intervalo de superfície necessário e monitorizar a absorção residual de azoto para mergulhos sucessivos no mesmo dia. Esta proeza matemática incorporada em aço salvou inúmeras vidas na era que antecedeu os algoritmos digitais. O design visual do mostrador, longe de ser um exercício estilístico, foi estritamente pautado pela pureza utilitária e ergonomia visual. O submostrador às 3 horas foi ampliado massivamente (dando origem à alcunha "Big Eye") para garantir que a passagem crítica dos minutos cronometrados fosse legível nas águas frequentemente turvas e sob o escasso espectro de luz das altas profundidades. Como contraponto funcional, às 9 horas, em vez de um submostrador de segundos tradicional impresso com algarismos, o Deepstar apresentava um indicador em formato de diamante ou hélice que girava perpetuamente. Este elemento não tinha a intenção de medir o tempo ao segundo exato, mas atuava primariamente como um "indicador de funcionamento mecânico", assegurando visualmente ao mergulhador que o relógio continuava a operar sob a pressão da coluna de água. O motor no interior desta robusta carapaça de aço de 37,5 mm é o formidável calibre Valjoux 23. Derivado da histórica arquitetura de cronógrafo de bolso Valjoux 22, o Valjoux 23 é um movimento de corda manual que oscila a um ritmo tradicional e testado de 18.000 vph (2.5 Hz). Controlado por um sistema de acionamento por roda de colunas incrivelmente polido e suave, este calibre não foi selecionado pelas altas frequências que seriam adotadas no final da década (como os 36.000 vph do El Primero de 1969), mas sim pela sua robustez inabalável, exigência de baixa manutenção e fiabilidade quase indestrutível face a impactos e mudanças térmicas repentinas. A consagração derradeira e indiscutível do Deepstar proveio das suas credenciais no pulso dos maiores pioneiros do mundo submarino. Em 1965, durante as operações experimentais do projeto Précontinent III (Conshelf III), o Comandante Jacques-Yves Cousteau e os seus oceanautas (como Philippe Tailliez e Albert Falco) viveram e trabalharam semanas num habitat submerso a mais de 100 metros de profundidade ao largo de Cabo Ferrat. O Aquastar Deepstar foi escolhido como parte do equipamento oficial. As imagens fotográficas e filmagens da época documentaram os pulsos da tripulação do Calypso equipados com o inconfundível mostrador assimétrico do Deepstar, cimentando o estatuto mítico do relógio. Nas décadas subsequentes, a atratividade do modelo de 1965 transcendeu a sua utilidade para atingir o domínio da arte. A descoloração físico-química dos pigmentos negros originais sob o vidro acrílico, combinada com o decaimento radioativo da laca de trítio e o sol do mar, resultou nos raríssimos mostradores "tropicais". A progressão irregular destes fundos para matizes ricos de chocolate, caramelo e ocre é, hoje em dia, um dos atributos mais valiosos no mercado de colecionismo de alta relojoaria. A interseção perfeita entre história exploratória, precisão relojoeira mecânica e a raridade absoluta destes artefactos de transmutação natural assegura que o Deepstar Valjoux 23 permaneça uma verdadeira lenda oceânica e um troféu monumental em qualquer leilão prestigiado.

CURIOSIDADES

- Diferentemente das marcas de luxo suíças tradicionais, o Aquastar Deepstar nunca esteve disponível em joalharias exclusivas nos anos 60; era vendido quase restritamente através de catálogos e lojas de equipamento de mergulho profissional como a lendária 'Spirochnique'. - A inovadora luneta patenteada do Deepstar é hoje frequentemente reconhecida por historiadores de relojoaria como o primeiro "computador de descompressão" analógico totalmente integrado à arquitetura de um cronógrafo de pulso. - O indicador às 9 horas é uma maravilha da psicologia humana subaquática: conhecido como 'running indicator', foi projetado com uma geometria estelar unicamente para que os mergulhadores notassem o movimento de relance em pânico, atestando que o Valjoux 23 não havia congelado. - Apesar da sua extrema popularidade a bordo do navio Calypso, não existia um contrato formal de patrocínio comercial entre a Aquastar e Jacques-Yves Cousteau; a escolha decorreu apenas do mérito estritamente técnico do instrumento perante o comité de exploração marinha francês. - Operando a 18.000 vph, o movimento Valjoux 23 utilizado nestes modelos não possuía a funcionalidade de 'hacking' (paragem dos segundos ao puxar a coroa), dado que a sobrevivência subaquática valorizava mais a fiabilidade ininterrupta do que a exatidão cronométrica ao milissegundo. - Para resistir à corrosão salina, a maioria dos Deepstars era entregue equipada com pulseiras tipo "Tropic", uma das primeiras aproximações à borracha vulcanizada sintética na relojoaria, muito superiores à lona degradável comum na altura. - O termo 'Tropical', que hoje aumenta o valor do relógio exponencialmente (por vezes duplicando os valores alcançados nas casas de leilão como a Phillips ou a Christie's), era considerado um severo defeito de controlo de qualidade fabril na década de 1960 devido ao colapso molecular da tinta perante a luz UV.

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