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Certina DS-2 Super PH500M: A Lenda Hermética da Experiência Tektite I e o Ápice da Engenharia Subaquática de 1969


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Relógio de mergulho profissional utilizado no experimento subaquático Tektite I. Possuía resistência à água de 500 metros e um mecanismo de segurança no bisel que exigia pressão para girar.

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HISTÓRIA

No final da década de 1960, a corrida científica pela conquista dos mares rivalizava em ambição e prestígio com a corrida espacial. A manufatura suíça Certina, sediada em Grenchen e fundada em 1888 pelos irmãos Adolf e Alfred Kurth, já havia revolucionado a relojoaria de precisão em 1959 com o lançamento do conceito 'DS' (Double Security) — um princípio mecânico em que o movimento mecânico flutuava dentro da caixa, suspenso por um anel de amortecimento elástico de borracha sintética. Em 1968, consolidando sua excelência em engenharia e metalurgia submarina, a marca introduziu a segunda geração, o lendário Certina DS-2, desenhado especificamente para suportar as condições mais hostis do planeta. O ápice da tecnologia subaquática da marca materializou-se em 1969 com o lançamento do Certina DS-2 Super PH500M (sendo 'PH' a sigla para Pression Hydrostatique e 500M a indicação de sua extraordinária resistência a 500 metros de profundidade). A peça destacava-se por uma caixa cushion maciça em aço 316L e por uma patente revolucionária em sua luneta giratória de 14 facetas: para rotacionar o anel e calcular o tempo de mergulho, o mergulhador precisava exercer uma força de compressão física para baixo, eliminando de forma absoluta qualquer risco de rotação acidental por atrito contra rochas submarinas ou cabos de ancoragem. O teste de fogo definitivo do DS-2 Super PH500M ocorreu no histórico Projeto Tektite I, realizado entre fevereiro e abril de 1969 na baía de Great Lameshur, em Saint John (Ilhas Virgens Americanas). Conduzido em colaboração pela Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy), NASA, Departamento do Interior e General Electric, quatro cientistas aquanautas viveram e trabalharam isolados durante 60 dias submersos a 15 metros de profundidade em um habitat subaquático de saturação. Cada um dos aquanautas utilizou em seus pulsos o Certina DS-2 Super PH500M, exposto continuamente a uma atmosfera saturada de nitrogênio-oxigênio e centenas de horas de mergulho em mar aberto. O relatório oficial do projeto Tektite I classificou o desempenho do Certina DS-2 Super PH500M como impecável, sem uma única falha de vedação, desvio de precisão cronométrica ou avaria mecânica perante os choques térmicos e hidrostáticos contínuos. O sucesso absoluto abriu caminho para que a peça fosse novamente requisitada no Projeto Tektite II em 1970, consolidando a Certina no seleto panteão das ferramentas instrumentais subaquáticas ao lado de ícones de Genebra e Bienne. O PH500M estabeleceu um paradigma perpétuo na alta horologia técnica, representando o equilíbrio definitivo entre integridade estrutural, ergonomia profissional e pureza de manufatura mecânica.

CURIOSIDADES

• O sistema de segurança da luneta de 14 lados exigia um mecanismo de mola e dentes de retenção internos patenteados, que demandavam pressão contínua axial para girar — uma invenção pioneira da Certina copiada posteriormente por vários fabricantes militares. • Durante o Projeto Tektite I em 1969, os quatro aquanautas registraram mais de 400 horas conjuntas de caminhada no fundo do oceano; todos os quatro relógios Certina operaram sem desvios de taxa de marcha superiores aos limites cronométricos diários de fábrica. • A famosa gravação do casco de tartaruga no verso da caixa não era meramente ornamental: ela simbolizava a couraça impenetrável do sistema Double Security e auxiliava na distribuição uniforme da pressão do anel de aperto rosqueado da tampa traseira. • Devido à sua raridade e robustez lendária, os modelos originais de 1969 com numeração de referência 5801 123 alcançam valores expressivos em prestigiados leilões internacionais como Antiquorum e Phillips, sendo reverenciados por colecionadores de instrumentos de mergulho histórico militar e científico. • A Certina submeteu os protótipos a testes de queda em laboratório em que o relógio era arremessado de alturas de até 6 metros em piso de madeira dura e concreto, comprovando a eficácia revolucionária do anel flutuante de borracha que envolvia o calibre 25-651.

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