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Certina DS-2 Super PH1000M: O Colosso Subaquático de 1970 e a Lenda da Missão Tektite II


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Relógio de mergulho profissional com resistência de 1000m (100 bar). Famoso pelo uso no experimento subaquático Tektite II da NASA/Marinha dos EUA. Equipado com o calibre 25-651.

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HISTÓRIA

A gênese do Certina DS-2 Super PH1000M remonta a uma era de ouro onde a exploração dos oceanos profundos rivalizava em ambição científica com a corrida espacial. No final da década de 1960, a manufatura fundada pelos irmãos Adolf e Alfred Kurth em Grenchen já havia revolucionado a relojoaria com a patente do conceito DS (Double Security) em 1959. No entanto, sob a liderança técnica do engenheiro Philipp Kurth, a Certina identificou a necessidade imperativa de ultrapassar os limites das ferramentas de mergulho recreativo e atender às demandas extremas dos pioneiros da saturação e das forças militares abissais, projetando um instrumento capaz de suportar pressões esmagadoras de até 100 atmosferas sem deformações estruturais. O desenvolvimento do Super PH1000M exigiu soluções mecânicas e metalúrgicas inéditas para suplantar o desafio da compressão isotrópica em profundidades extremas. Para anular o risco de esmagamento do vidro ou intrusão pelas juntas da coroa, a Certina concebeu uma carcaça escultural em aço 316L maciço, cuja geometria em almofada atuava como um escudo hidrodinâmico de absorção de estresse. Internamente, o lendário anel elástico de absorção de choque do sistema DS foi redimensionado com composições poliméricas reforçadas, criando uma câmara mecânica onde o Calibre de Manufatura 25-651 operava virtualmente imune a torções mecânicas, choques de compressão e variações bruscas de gradiente térmico. Em termos de inovação aplicada, a patente do bisel de mergulho do DS-2 Super PH1000M tornou-se um marco referencial da engenharia horológica de segurança: diferentemente dos sistemas catracados convencionais, o anel graduado exigia uma pressão descendente deliberada da mão do mergulhador contra a mola da base antes que pudesse girar, eliminando completamente a chance de movimentação involuntária contra rochas marinhas ou equipamentos de escafandro. O cristal mineral maciço de 4,5 mm de espessura foi assentado sob uma junta de dilatação que se tornava mais hermética à medida que a pressão hidrostática aumentava, incorporando o conceito técnico de autofechamento por carga mecânica externa. O ponto culminante de sua consagração histórica deu-se em 1970 com o revolucionário programa subaquático Tektite II, sediado na baía de Great Lameshur, nas Ilhas Virgens Americanas. Financiado conjuntamente pelo Departamento do Interior dos Estados Unidos, pela Marinha Americana e pela própria NASA — que utilizava o habitat submergido para avaliar o isolamento e o estresse psicológico de astronautas em futuras missões espaciais —, o projeto submeteu o DS-2 Super PH1000M às condições reais de saturação em atmosfera de nitrogênio-oxigênio por semanas ininterruptas. O relógio foi utilizado pelos aquanautas, incluindo a icônica equipe feminina liderada pela lendária bióloga marinha Dra. Sylvia Earle, suportando mergulhos de saturação e descompressão severa sem registrar uma única falha de lubrificação ou perda de hermeticidade. O impacto internacional da peça foi avassalador, posicionando a Certina no seleto panteão dos fabricantes de 'Super Divers' instrumentais mecânicos, ao lado dos desenvolvimentos contemporâneos da Comex e dos projetos militares europeus mais exigentes. O DS-2 Super PH1000M consolidou-se como um testemunho magistral do apogeu mecânico de Grenchen antes da crise do quartzo, deixando um legado perpétuo que definiu os cânones da robustez extrema e transformou o medalhão da tartaruga marinha em um dos maiores ícones da história da cronometria aquática mundial.

CURIOSIDADES

• Validação Científica pela NASA e Sylvia Earle no Tektite II: Durante a histórica Missão 6-50 do Tektite II em 1970 — a primeira expedição científica de saturação tripulada exclusivamente por mulheres aquanautas —, a célebre oceanógrafa Sylvia Earle e sua equipe usaram o Certina DS-2 Super PH1000M e o modelo PH500M diretamente nos pulsos, provando a estabilidade da cronometria mecânica em ambientes hiperbáricos de gás misto. • Mecanismo Inovador de Bisel com Embreagem de Pressão: O sistema de segurança mecânica do bisel giratório era tão avançado que contava com três molas de aço internas sob o anel perimétrico; a rotação só era destravada quando o utilizador exercia uma força vertical axial de 15 Newtons simultaneamente à rotação anti-horária, antecipando conceitos que mais tarde seriam adotados por lendas como o Omega Seamaster Ploprof. • O Mistério Hidrostático da Sigla 'PH': As letras 'PH' gravadas com destaque no mostrador abissal derivam do francês 'Pression Hydrostatique' (Pressão Hidrostática), servindo como especificação metrológica rigorosa de que a caixa foi fisicamente testada em cuba hiperbárica além de sua pressão nominal de 1.000 metros (100 atmosferas). • Calibre 25-651 e o Sistema Flutuante DS: O movimento automático 25-651 instalado no interior não possuía parafusos que o unissem de forma rígida à caixa metálica; ele ficava inteiramente 'suspenso' em um anel denso de elastômero especial, fazendo com que o relógio pudesse cair de alturas de até seis metros sobre piso de concreto sem que o pivô do balanço se quebrasse. • Prestígio em Leilões de Ferramentas Abissais: Unidades originais com o mostrador 'Signal Orange' hiper-luminoso e numeração de referência militar ou civil das expedições de 1970 tornaram-se 'grails' disputadíssimos em casas como Phillips e Christie's, com colecionadores valorizando sobremaneira a pátina escura intocada do trítio nos imponentes ponteiros em formato de espada.

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