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Certina DS PH200M (1967): A Génese da 'Pression Hydrostatique' e a Lenda da Referência 5801 117


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Primeiro modelo da série Pression Hydrostatique (PH), referência 5801 117, equipado com o calibre 25-651 e resistência de 200m. Precursor direto dos modelos PH500M e PH1000M.

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HISTÓRIA

A gênese do Certina DS PH200M remonta à ambição dos irmãos Adolf e Erwin Kurth, que desde a fundação da manufatura em Grenchen, em 1888, buscaram associar a precisão cronométrica à durabilidade mecânica extrema. Em 1959, a Certina revolucionou a indústria com o lançamento da linha DS (Double Security), baseada em um princípio de isolamento cinemático inédito: o mecanismo não era aparafusado rigidamente à caixa, mas suspenso por um anel elastomérico absorvedor de impacto e vedado por um conjunto redundante de juntas tóricas. Em meados da década de 1960, com a explosão das explorações oceanográficas, da biologia marinha de saturação e do mergulho autônomo profissional em grandes profundidades, os engenheiros da fábrica foram incumbidos de criar um instrumento capaz de suportar as condições mais hostis do meio subaquático, culminando na criação da série 'PH' (Pression Hydrostatique). Lançado oficialmente em 1967 com a referência 5801 117, o Certina DS PH200M estabeleceu o padrão de excelência metrológica para os relógios de mergulho de seu tempo. O sufixo 'PH200M' denotava sua capacidade de resistir a uma pressão estática equivalente a 200 metros de profundidade, uma barreira tecnológica monumental para a época. O desenvolvimento exigiu anos de estudos em metalurgia, especificamente na geometria das caixas em aço Staybrite e no comportamento viscoelástico das juntas de borracha sintética expostas à água salinizada de alta salinidade e a variações térmicas violentas. O cristal de Hesalite hiperabobadado não foi escolhido por acaso: diferentemente dos cristais minerais que poderiam estilhaçar catastroficamente sob choque ou tensão de descompressão, a resina termoplástica deformava-se elasticamente, aumentando a pressão periférica contra as guarnições e elevando ainda mais o selamento do relógio à medida que a profundidade aumentava. No coração mecânico deste titã subaquático operava o Calibre 25-651, concebido, desenvolvido e inteiramente manufaturado dentro das oficinas da Certina. Tratava-se de um dos movimentos automáticos mais confiáveis e equilibrados já projetados na Suíça, ostentando 27 rubis para minimizar perdas por atrito e um sistema automático de enrolamento bidirecional ultraeficiente acionado por rotor central pesado. A inclusão da roda de balanço em Glucydur de baixa dilatação térmica e do sistema Incabloc somado ao anel de suspensão DS conferia ao relógio uma resistência a quedas e choques mecânicos que superava em até cinco vezes os testes exigidos pelos padrões industriais vigentes na época. A recepção internacional do DS PH200M foi avassaladora nos círculos de mergulhadores profissionais, expedições científicas e unidades militares marítimas em toda a Europa. A clareza instrumental do mostrador preto laqueado com a mira vermelha ("crosshair") e os ponteiros maximizados com trítio garantiam uma leitura visual instantânea nas profundezas oceânicas turvas. Mais do que um sucesso comercial, a referência 5801 117 atuou como o campo de provas definitivo para a arquitetura mecânica da Certina. Os dados empíricos colhidos neste modelo serviram diretamente de base para o nascimento dos lendários DS PH500M e PH1000M nos anos subsequentes, peças que escreveram história nos experimentos de habitats submarinos da Marinha dos Estados Unidos e da NASA (como o célebre Projeto Tektite em 1969). O legado perpétuo do Certina DS PH200M reside na consolidação do design de ferramentas profissionais ('tool watches') utilitárias sem compromissos mecânicos. Tornou-se um ícone venerado por curadores e colecionadores nos maiores leilões de relojoaria histórica mundial, reverenciado não apenas por sua estética brutalista e equilibrada do final dos anos 1960, mas como um marco irrefutável da era de ouro dos relógios mecânicos de mergulho, em que a vida dos desbravadores do abismo dependia estritamente da integridade mecânica de uma caixa de aço suíça.

CURIOSIDADES

• A designação 'PH' gravada na nomenclatura do modelo deriva diretamente do termo francês 'Pression Hydrostatique', indicando com rigor cinemático que o relógio foi projetado para resistir a forças hidrostáticas de 20 atmosferas (200 metros), testado individualmente em câmaras hiperbáricas hidropneumáticas nos laboratórios de Grenchen. • O emblemático relevo da tartaruga marinha fundido no fundo da caixa em aço não era apenas um adorno comercial, mas uma analogia filosófica criada pelos irmãos Kurth: representava a impermeabilidade inviolável e a capacidade do casco da tartaruga de resistir a choques severos, tornando-se o selo indelével dos modelos mais robustos da manufatura. • O Calibre in-house 25-651 apresentava uma peculiaridade técnica em sua montagem: o rotor de enrolamento automático era dotado de um núcleo central com amortecimento mecânico exclusivo para impedir que impactos extremos quebrassem o pivô do eixo da massa oscilante durante esportes aquáticos violentos. • O estrondoso sucesso técnico da referência 5801 117 serviu de plataforma direta para a Marinha Real Australiana e para o Departamento do Interior dos Estados Unidos com a NASA, que selecionaram a evolução imediata desse projeto (o modelo DS PH500M) para o famoso Projeto Tektite I em 1969, onde cientistas viveram em saturação no fundo do mar por semanas. • Exemplares originais preservados da referência 5801 117 de 1967 com o mostrador 'crosshair' em condições imaculadas e pátina de trítio avermelhada/âmbar alcançam cotações de destaque em leilões especializados da Phillips e Christie's, figurando entre os relógios de mergulho 'vintage' mais procurados por colecionadores de alta engenharia utilitária.

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