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Enciclopédia Horológica: Yema Cronógrafo "Daytona" (Circa 1969)


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Cronógrafo raro apelidado de Daytona devido à semelhança do mostrador com o icônico modelo suíço. Movido pelo calibre Valjoux 7730 ou 92, apresenta registradores contrastantes e é altamente cobiçado em leilões por seu apelo estético vintage.

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RESUMO

O cronógrafo Yema apelidado de "Daytona", datado de circa 1969, representa um dos capítulos mais fascinantes da relojoaria desportiva francesa de meados do século XX. Fabricado em Besançon, o berço histórico da relojoaria em França, este modelo conquistou a atenção tardia, mas fervorosa, da comunidade de colecionadores vintage devido à sua notável semelhança estética com os mostradores "Exotic" ou "Paul Newman" do icónico Rolex Daytona. Distingue-se por um mostrador de alto contraste – tipicamente em configurações "Panda" (fundo branco com sub-mostradores pretos) ou "Reverse Panda" – com índices de formato em bloco, ponteiros de registo proeminentes e escalas taquimétricas periféricas dedicadas ao desporto automóvel. Mecanicamente, a Yema não produzia calibres cronográficos in-house nesta época, recorrendo à fiabilidade comprovada da suíça Valjoux. Dependendo do lote exato de produção, este modelo é alimentado pelo prestigiado Calibre Valjoux 92, equipado com roda de colunas, ou pelo robusto Calibre Valjoux 7730, um mecanismo acionado por cames que derivou do Venus 188. Ambos operam a uma frequência clássica de 18.000 alternâncias por hora (2.5 Hz). Num ano (1969) amplamente dominado pela corrida aos cronógrafos automáticos pelas grandes casas suíças, a Yema manteve-se fiel aos calibres de corda manual para os seus cronógrafos desportivos, oferecendo precisão a um preço competitivo. Hoje, o Yema "Daytona" transcendeu o seu estatuto de alternativa acessível (frequentemente rotulado no passado como "Poor Man's Daytona") para se tornar uma peça de leilão altamente cobiçada, celebrada pela sua autenticidade estilística e pelo robusto charme do automobilismo dos anos 60.

HISTÓRIA

A fundação da Yema em 1948 por Henry Louis Belmont, um mestre relojoeiro visionário que se formou com honras na Escola Nacional de Relojoaria de Besançon, marcou o início de uma nova era para a indústria relojoeira francesa. Durante as décadas de 1960 e 1970, a Yema afirmou-se como a principal exportadora de relógios de França, especializando-se em peças instrumentais ('tool watches') robustas e acessíveis. O contexto histórico do final da década de 1960 é crucial: enquanto 1969 ficou para a história como o ano do cronógrafo automático (com os lançamentos do Zenith El Primero, do Calibre 11 e do Seiko 6139), a vasta maioria dos profissionais e entusiastas de desporto automóvel ainda dependia dos cronógrafos de corda manual pela sua fiabilidade comprovada e custos de manutenção inferiores. O apelido "Daytona" atribuído a este modelo específico da Yema não constava em nenhum catálogo oficial da marca. Na verdade, a Yema nomeava as suas linhas orientadas para o automobilismo como "Rallygraf" ou "Rallye". Contudo, o design do mostrador de certas referências lançadas no final dos anos 60 apresentava uma semelhança inegável com os mostradores fabricados pela Singer para a Rolex – especificamente os mostradores "Exotic", que mais tarde se tornariam famosos sob a égide "Paul Newman". Esta semelhança não foi plágio, mas sim um reflexo do zeitgeist do design da época: sub-mostradores de alto contraste para máxima legibilidade no cockpit de carros de corrida, índices em forma de bloco (hash marks) com terminações quadradas para leitura fracionária precisa, e uma paleta cromática rigorosamente utilitária, predominantemente preta e branca com ocasionais toques de vermelho. O coração mecânico deste cronógrafo conta a história da transição industrial suíça da época. Nos primeiros exemplares e referências de topo, a Yema utilizou o Valjoux 92. Este era um calibre refinado, desenhado com uma tradicional roda de colunas e um pinhão oscilante (invenção patenteada por Edouard Heuer no século XIX). Contudo, à medida que a década de 60 avançava, a pressão para reduzir os custos de produção levou a Valjoux a adquirir a Venus e a integrar o seu calibre 188 acionado por cames, rebatizando-o como Valjoux 7730. O Valjoux 7730 substituiu progressivamente os cronógrafos de roda de colunas na base da pirâmide de produção. O Yema "Daytona" de 1969 pode ser encontrado com ambos os movimentos, sendo os exemplares com Valjoux 92 ligeiramente mais raros e mecanicamente mais apreciados pelos puristas, enquanto os modelos com Valjoux 7730 representam a robustez do final da década. Durante décadas, estes relógios definharam em gavetas ou foram negociados a preços irrisórios sob o título de "Poor Man's Daytonas" (Daytonas dos Pobres). No entanto, com a explosão do mercado de relógios vintage no século XXI e a hiper-inflação dos modelos suíços homólogos, a avaliação académica e de mercado dos cronógrafos Yema foi totalmente revista. Hoje em dia, os especialistas reconhecem o Yema "Daytona" não como um mero derivado, mas como uma peça de design intrinsecamente importante que encapsula a era de ouro do desporto motorizado europeu. Em leilões modernos, um exemplar imaculado com o mostrador correto de índices em bloco atrai uma licitação feroz, transcendendo largamente o seu posicionamento de mercado original.

CURIOSIDADES

O apelido "Daytona" é estritamente uma criação moderna da comunidade de colecionadores e leiloeiras; nos anos 60, a Yema nunca utilizou comercialmente este nome, focando-se no termo "Rallye" para o público automobilístico. Embora em 1969 marcas suíças e japonesas já introduzissem calibres de alta frequência (como os 36.000 vph do Zenith El Primero), a Yema apostou deliberadamente na batida conservadora de 18.000 vph (2.5 Hz) das ébauches Valjoux, priorizando intervalos de manutenção prolongados para condutores amadores. A mudança do Valjoux 92 (roda de colunas) para o Valjoux 7730 (cames) não foi anunciada aos consumidores da época, sendo tratada apenas como uma atualização contínua de produção, o que hoje torna a abertura do fundo da caixa uma surpresa constante para os peritos. A estética deste mostrador tem raízes profundas na necessidade de leitura rápida a altas velocidades; os marcadores geométricos nos sub-contadores visam evitar a ilusão de ótica provocada pela vibração excessiva no volante de um carro clássico de rali. A popularidade vintage da Yema beneficiou enormemente do facto de Mario Andretti ter usado um cronógrafo Yema Rallye quando venceu a Indy 500 em 1969, atraindo a atenção retrospectiva para toda a linha de cronógrafos da marca daquele ano específico. Os mostradores da Yema desta era foram frequentemente produzidos pelos mesmos fabricantes fornecedores no Jura suíço e arredores que alimentavam marcas de maior prestígio, justificando a incrível semelhança de qualidade com os famosos "Exotic Dials" da Rolex. Muitas caixas destes cronógrafos desportivos Yema utilizavam perfis do tipo "Skin Diver", partilhando componentes externos com a famosa linha de mergulho Superman, o que lhes conferia uma resistência à água superior à média para um cronógrafo focado no asfalto.

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