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Aquastar Benthos 500 Ref. 1002: O Pioneiro Mergulhador de 500 Metros com Cronógrafo Central


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O primeiro relógio de mergulho a atingir 500m de profundidade. Destaca-se pelo cronógrafo de ponteiro central (minute creeper) operado por monopulsador, impulsionado pelo calibre A. Schild 2162 modificado. Uma obra-prima da engenharia subaquática.

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RESUMO

O Aquastar Benthos 500, Referência 1002, lançado por volta de 1970, representa um dos marcos mais significativos e impressionantes na evolução da engenharia dos relógios de mergulho (diver's watches). Concebido sob a direção minuciosa de Frédéric Robert, fundador da marca e notório entusiasta do mergulho, este modelo carrega o formidável título de ser o primeiro relógio de mergulho a garantir uma resistência à pressão de 500 metros (50 ATM) mantendo as dimensões de um relógio de pulso convencional, sem a necessidade de válvulas de escape de hélio. A genialidade mecânica do Benthos 500 reside na funcionalidade exclusiva do seu mostrador. O instrumento é equipado com um cronógrafo de minutos de ponteiro central (frequentemente designado como 'minute creeper'), concebido para registrar tempos críticos de descompressão ou imersão. Esta complexidade foi alcançada graças à modificação extensiva e dispendiosa do calibre mecânico automático A. Schild (AS) 2162. Operado por um único botão (monopulsador) estrategicamente abrigado às 4 horas da caixa, o mecanismo emprega um sistema de reinício (flyback ou zero-reset imediato), permitindo ao mergulhador zerar e retomar a contagem de minutos em um único movimento fluido sob a água. Através de patentes revolucionárias em vedações o-ring e de um design focado estritamente no utilitarismo de sobrevivência marítima, o Aquastar Benthos 500 consagrou-se não apenas como uma ferramenta para pioneiros da exploração oceânica, mas como uma obra-prima rigorosa da engenharia subaquática antes da crise do quartzo.

HISTÓRIA

A gênese do Aquastar Benthos 500 (Ref. 1002) está indissociavelmente ligada à autêntica 'Idade de Ouro' do mergulho autônomo (SCUBA) e à eclosão de projetos oceanográficos de profundidade. Fundada em Genebra em 1962 por Frédéric Robert — ele próprio um mergulhador dedicado, velejador e engenheiro inovador —, a Aquastar não surgiu como uma marca de luxo que ocasionalmente fabricava relógios esportivos, mas sim como um laboratório dedicado puramente à criação de instrumentação de sobrevivência para atividades náuticas extremas. Durante o final da década de 1960, a barreira de resistência à água para relógios de pulso de consumo e ferramentas profissionais operava tipicamente entre os limites de 200 e 300 metros. A exceção existia apenas em protótipos maciços, irreais para uso prático diário, ou nos complexos relógios de válvula de hélio projetados unicamente para a problemática fisiológica do mergulho de saturação. Identificando a necessidade de uma caixa puramente forte que pudesse resistir a severas pressões hidrostáticas sem comprometer a ergonomia sob trajes de neoprene volumosos, a Aquastar iniciou os ambiciosos rascunhos do modelo 'Benthos' — nome derivado apropriadamente do antigo termo grego (bénthos) que define a totalidade da fauna residente nas abissais profundezas dos mares. Quando a Aquastar revelou o Benthos 500 no limiar de 1970, o modelo alterou drasticamente os parâmetros técnicos da relojoaria subaquática. Sua formidável estanqueidade de 500 metros (cerca de 1.640 pés) provinha das inovações patenteadas por Robert. A coroa e os atuadores foram redesenhados não com as gaxetas planas convencionais, mas com sofisticadas vedações de formato cilíndrico contínuo (O-Rings) que se acomodavam melhor e aumentavam o isolamento hidráulico na proporção direta em que a pressão externa escalava. A verdadeira coroa de glória histórica deste modelo, contudo, pulsa no seu coração horológico. A Aquastar determinou que os submostradores minúsculos dos cronógrafos mecânicos tradicionais eram visualmente ilegíveis sob as escuras e turvas águas profundas. A solução exigiu engenharia severa: baseando-se no respeitado calibre de corda automática A. Schild 2162, operando na alta frequência de 28.800 vph (4 Hz) para garantir máxima precisão, os engenheiros suíços integraram exaustivamente um módulo de cronógrafo central inusitado. Em vez de uma roda de colunas complexa suscetível a paralisações por impacto, o ponteiro de minutos de mergulho (o famoso 'minute creeper' laranja de ponta larga) contabiliza até 60 minutos de forma legível no eixo central. Ele é comandado por um botão exclusivo às 4 horas que serve apenas para aplicar um recuo instantâneo (zero-reset). Não há função de 'parar'; um mergulhador simplesmente aperta o botão e, quando o solta, um novo ciclo de cronometragem de imersão é iniciado com precisão vital para monitorar cilindros de ar. Com a coroa deslocada de forma assimétrica para as 2 horas para evitar o bloqueio do pulso e proteger o tubo de choque, a peça manifestou a mais pura materialização da premissa form-follows-function (a forma segue a função). Consolidando seu status de ferramenta purista de 'suporte de vida', o Benthos 500 era primariamente comercializado em lojas de equipamentos e estaleiros profissionais de mergulho, e não em vitrines espelhadas de joalherias de Genebra. Frequentemente distribuído pela Scubapro — figurando ambas as assinaturas no mostrador em raros exemplares modernos de colecionador —, o Benthos 500 guarneceu pulso de especialistas na exploração de plataformas offshore e de lendas da oceanografia na era pré-digital, selando perpetuamente o nome da Aquastar nos anais da mais acadêmica e rigorosa história relojoeira.

CURIOSIDADES

1. O nome 'Benthos' deriva do grego antigo (bénthos), significando textualmente 'a profundidade do mar', sendo a denominação científica da comunidade biológica que habita o leito marinho – um batismo perfeito para um relógio focado nos 500 metros. 2. O monopulsador às 4 horas rompe com a norma dos cronógrafos clássicos (iniciar, parar, zerar), pois a contagem não pode ser pausada; ele age unicamente como um gatilho de 'zero-reset' contínuo para recontar imediatamente um tempo de mergulho sem distrações. 3. A complexidade do movimento AS 2162 foi modificada instalando a função do cronógrafo sob o mostrador e acima da platina principal, uma arquitetura de alta complexidade que encareceu brutalmente sua construção e torna o restauro moderno uma tarefa para apenas poucos mestres relojoeiros. 4. O Benthos 500 é historicamente reconhecido por suas patentes de inovação em vedação: a introdução pioneira de vedações em anel circular redondo (O-rings) superou criticamente o design primitivo das juntas achatadas que falhavam com as variações bruscas de pressão da época. 5. O layout visual assimétrico com coroa às 2 horas não é uma escolha de vanguarda estética, mas uma decisão de engenharia ergonômica adotada com o propósito de minimizar o risco do tubo roscado ser danificado ou de ferir as costas da mão ao empunhar equipamentos aquáticos pesados. 6. Encontrar um Benthos 500 imaculado hoje é notoriamente difícil para estudiosos e colecionadores, visto que, sendo aclamado como uma ferramenta definitiva de sobrevivência pré-computadores de mergulho, a esmagadora maioria destes relógios foi severamente desgastada ('tool watches' na essência) ou invadida por água do mar devido à falta de manutenção nas gaxetas. 7. Numerosos exemplares remanescentes do Aquastar Benthos 500 carregam uma dupla assinatura com a proeminente logomarca da gigante do equipamento de mergulho 'Scubapro' sobre o mostrador, reafirmando que o relógio transcendia o estatuto de acessório para ser faturado em lojas de insumos navais de alta categoria.

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