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Cronógrafo Yema Rallygraf "Mario Andretti" (1966)


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Cronógrafo de corrida imortalizado pelo piloto Mario Andretti. Apresenta mostradores secundários em formato de painel de carro e escala taquimétrica. Movido pelo confiável calibre Valjoux 7730/7733, é uma peça altamente cobiçada em leilões de automobilismo.

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RESUMO

O Yema Rallygraf, introduzido originalmente em 1966, representa um dos marcos mais emblemáticos da relojoaria desportiva focada no automobilismo. Produzido pela manufactura francesa Yema, fundada por Henry Louis Belmont, este cronógrafo mecânico foi concebido meticulosamente para satisfazer as exigências rigorosas dos pilotos de corrida. A sua fama global e consagração histórica estão indissociavelmente ligadas ao lendário piloto italo-americano Mario Andretti. O Rallygraf transcendeu o seu propósito utilitário para se tornar um ícone cultural quando Andretti o adquiriu de forma independente e o utilizou durante a sua histórica vitória nas 500 Milhas de Indianápolis, em 1969. O design do Rallygraf é imediatamente reconhecível pelos seus mostradores subsidiários (sub-dials) trapezoidais, desenhados para emular os painéis de instrumentos dos automóveis de competição da época. Esta estética inovadora, combinada com uma escala taquimétrica essencial para calcular velocidades médias, conferiu ao relógio uma identidade visual singular e imensamente técnica. Mecanicamente, as iterações clássicas do Rallygraf "Mario Andretti" eram alimentadas por calibres mecânicos de corda manual da renomada fabricante suíça Valjoux, predominantemente o calibre 7730 e, posteriormente, o 7733. Operando a uma frequência de 18.000 alternâncias por hora (2.5 Hz), estes movimentos garantiam a robustez e a precisão necessárias para sobreviver aos cockpits de alta vibração térmica e mecânica. Atualmente, o Yema Rallygraf da década de 1960 é uma peça de imenso prestígio e escassez, sendo ferozmente disputada em leilões de horologia e de memorabilia automobilística de alto calibre.

HISTÓRIA

A história enciclopédica do Yema Rallygraf tem início no contexto de grande especialização da indústria relojoeira francesa na era pós-Segunda Guerra Mundial. A Yema, estabelecida em 1948 na histórica região de Besançon sob a alçada de Henry Louis Belmont, forjou rapidamente a sua reputação através do desenvolvimento exímio de relógios-ferramenta ('tool watches') técnicos e fiáveis. Em 1966, interpretando o crescente entusiasmo internacional, a perigosidade e a profissionalização acelerada dos desportos motorizados, a marca francesa lançou o Rallygraf. O Rallygraf foi concebido de raiz para pilotos profissionais, mecânicos de pista e entusiastas do Gran Turismo. A configuração estética do mostrador foi uma inovação audaz. Demarcando-se dos cronógrafos tradicionais que empregavam sub-mostradores perfeitamente circulares, a Yema desenhou registos em forma de trapézio truncado. Esta decisão técnica não foi meramente estilística; o seu principal objetivo era replicar a geometria dos manómetros do painel de instrumentos (dashboard) de automóveis desportivos, o que facilitava uma legibilidade instantânea sob o extremo stress fisiológico e a trepidação acentuada no interior dos cockpits de competição. A presença adicional de faixas vermelhas cruzando o mostrador inseriu um dinamismo adicional, evocando diretamente as listras desportivas ('racing stripes') proeminentes nas carroçarias da época. A escala taquimétrica providenciava a capacidade vital de calcular velocidades médias perante distâncias fixas, uma exigência para qualquer navegador ou piloto de rali antes do advento da telemetria digital integral. O momento definidor na consagração histórica da linhagem do Rallygraf derivou de um endosso puramente orgânico. No culminar da década de 1960, o ilustre piloto Mario Andretti comprou um exemplar do Yema Rallygraf através de fundos estritamente pessoais. Contrariando as premissas atuais de embaixadores de marca patrocinados, a escolha de Andretti esteve fundamentada unicamente na fiabilidade mecatrónica do instrumento. O relógio acompanhou Andretti nas competições, mas foi eternizado a 30 de maio de 1969. Foi nesta data histórica que o piloto obteve uma vitória retumbante na mítica corrida das 500 Milhas de Indianápolis (Indy 500), usando este preciso cronógrafo Yema. Tal exposição associou irrevogavelmente a alcunha 'Mario Andretti' a esta referência específica da marca. No domínio da engenharia de precisão, as primeiras séries deste Rallygraf foram providas pelo reverenciado calibre Valjoux 7730, um mecanismo mecânico de corda manual com 17 joias. De forma pertinente no campo da historiografia horológica, este calibre representou uma continuação direta do arquétipo estrutural do Venus 188 (cujos direitos tinham sido adquiridos pela Valjoux). Operando a 18.000 vph (2.5 Hz), não utilizava a arquitetura de roda de colunas ('column wheel'), mas antes um mecanismo altamente eficiente ativado por came, que conferia resistência extraordinária. Em suma, o exemplar original que cruzou a linha de chegada em 1969 não é apenas o testamento de uma glória desportiva unificando o desporto motorizado com a mestria relojoeira gaulesa; ele consolida-se como um objeto de culto inestimável e permanentemente cobiçado nas mais criteriosas galerias e catálogos de leilões a nível mundial.

CURIOSIDADES

A aquisição original do relógio por Mario Andretti decorreu fora de qualquer quadro de patrocínio comercial; o piloto investiu de forma independente na peça, o que empresta uma aura de autenticidade invulgar a este ícone relojoeiro. O design característico em 'painel de carro' dos mostradores subsidiários foi deliberadamente concebido para simular os taquímetros veiculares, auxiliando o processamento visual do piloto durante frações de segundo. Ao nível do escapamento, as 18.000 alternâncias por hora (vph) do Valjoux 7730 refletem o padrão estrutural fiável da relojoaria desportiva pré-1969, não devendo ser confundido com os movimentos de alta frequência ('Hi-Beat') introduzidos mais tarde pela concorrência suíça e japonesa. A aparição física do relógio no pódio das 500 Milhas de Indianápolis em 1969 assegurou que o modelo não fosse esquecido, cristalizando o Yema na hierarquia sagrada dos chamados 'relógios de desporto motorizado' ao lado do Heuer Monaco e do Rolex Daytona. O movimento base (Valjoux 7730) derivou originalmente da arquitetura patenteada pela ebauche Venus (o lendário Venus 188), simbolizando um dos designs mecânicos baseados em 'cames' mais robustos do século XX. As distintas faixas verticais pintadas na base do mostrador homenageiam o fenómeno das 'Racing Stripes' instituído por figuras do desporto automóvel como Briggs Cunningham, imortalizando a estética das grelhas de partida da década de 60. O apelo do vintage transformou radicalmente a valoração económica do Rallygraf; exemplares intactos da primeira geração de 1966, outrora relógios-ferramenta de preço modesto, batem atualmente recordes significativos em reputadas casas de leilões como a Phillips e a Sotheby's.

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