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Yema Rallye Cronógrafo 'Formica Dial': A Estética Automobilística Francesa e o Calibre Valjoux 7734 (circa 1970)


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Raro cronógrafo com mostrador imitando madeira (fórmica), evocando painéis de carros esportivos. Equipado com o robusto calibre Valjoux 7734 com data às 6 horas. Destaque em leilões da Watches of Knightsbridge.

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RESUMO

O Yema Rallye Chronograph 'Formica Dial', datado de aproximadamente 1970, representa um dos exemplares mais singulares e idiossincráticos da relojoaria esportiva francesa do século XX. Produzido em Besançon, o berço histórico da relojoaria na França, este modelo encapsula de maneira visceral a cultura do automobilismo da década de 1970. Sua característica mais definidora é o mostrador com acabamento que imita madeira, apelidado por colecionadores de 'Fórmica', uma referência direta aos suntuosos painéis laminados e volantes esportivos (como os da Nardi ou Momo) presentes em automóveis de Gran Turismo da época. Mecanicamente, a peça é movida pelo venerável calibre Valjoux 7734, um movimento de cronógrafo a corda manual com sistema de cames, operando a uma frequência tradicional de 18.000 alternâncias por hora (2.5 Hz). A inclusão da janela de data às 6 horas proporciona uma simetria notável à configuração bi-compax (dois submostradores) da face do relógio. Durante a sua época de produção, a Yema era a principal exportadora de relógios da França, conhecida por sua abordagem robusta e orientada para instrumentos profissionais. Hoje, o Rallye 'Formica' transcendeu seu status de ferramenta utilitária para se tornar um artefato de alto valor histórico. Devido à sua tiragem limitada e ao design não convencional, o modelo tornou-se escasso e altamente cobiçado, ganhando destaque significativo em pregões de prestígio focados em relógios vintage, notadamente nos leilões da Watches of Knightsbridge em Londres, consolidando seu lugar como um ícone de culto da 'Golden Era' dos cronógrafos esportivos.

HISTÓRIA

As origens do Yema Rallye Chronograph remontam à fundação da marca em 1948 por Henry Louis Belmont, na cidade de Besançon, na região do Jura francês. Durante as décadas de 1960 e 1970, a Yema estabeleceu-se como a espinha dorsal da relojoaria esportiva e de mergulho na França, desenvolvendo 'tool watches' (relógios-ferramenta) altamente especializados. Enquanto o modelo 'Superman' dominava o mergulho e o 'Yachtingraf' as regatas, a linha 'Rallye' e 'Rallygraf' foi concebida exclusivamente para o esporte a motor, tornando-se a escolha de eleição para pilotos de rali e entusiastas da velocidade. O início da década de 1970 marcou uma revolução no design industrial e automotivo. A adoção de tons terrosos, cromados espessos e interiores adornados com madeira ou painéis sintéticos de alto brilho tornou-se sinônimo de luxo esportivo. Modelos icônicos da época, como o Peugeot 504 Coupé, Alfa Romeo GTV e diversos carros esporte britânicos, ostentavam painéis com texturas amadeiradas. Foi nesse exato contexto sociológico e estético que a Yema lançou o Rallye 'Formica Dial'. O mostrador não utilizava madeira real — um material suscetível a rachaduras devido a variações de umidade e temperatura — mas sim um laminado sintético, frequentemente apelidado pelos relojoeiros e colecionadores de 'fórmica'. Este material oferecia durabilidade, espessura mínima (crucial para o espaçamento dos ponteiros) e capturava perfeitamente a essência dos 'dashboards' (painéis de instrumentos) automobilísticos. Sob o capô mecânico desta peça excêntrica encontra-se o robusto calibre Valjoux 7734. A história deste movimento é intrínseca à evolução do cronógrafo no século XX. Em 1966, a Ebauches SA (agrupamento que incluía a Valjoux) adquiriu a Venus, obtendo os direitos do calibre Venus 188, famoso por introduzir o sistema de cronógrafo ativado por cames (mais barato e robusto que o tradicional sistema de roda de colunas). A Valjoux refinou este design, criando a família 7730. Em 1969, a adição da complicação de data deu origem ao 7734. Batendo a 18.000 alternâncias por hora (vph), este calibre não pretendia competir em altíssima frequência com inovações contemporâneas como o Zenith El Primero (36.000 vph), mas oferecia uma confiabilidade inabalável, tornando-se o motor padrão para cronógrafos esportivos de gama média-alta europeus antes da Crise do Quartzo. Historicamente, os cronógrafos Yema alcançaram notoriedade mundial quando o piloto Mario Andretti foi visto usando um modelo Yema Rallye tradicional durante sua lendária vitória nas 500 Milhas de Indianápolis em 1969. Essa exposição alavancou o prestígio da marca, mas também fez com que variantes excêntricas, como a versão 'Formica', fossem marginalizadas comercialmente na época, resultando em baixos números de produção. Contudo, o século XXI trouxe uma profunda reavaliação historiográfica da relojoaria dos anos 1970. Colecionadores passaram a buscar não apenas a excelência mecânica, mas também o 'zeitgeist' (o espírito da época) contido no design. O Yema Rallye 'Formica' ressurgiu das sombras da obscuridade relojoeira para se tornar um 'graal' entre os puristas de cronógrafos vintage. Sua raridade intrínseca e apelo retrô único garantiram sua presença em leilões de renome internacional. A prestigiada casa de leilões britânica, Watches of Knightsbridge, tem sido instrumental na legitimação e na curadoria destes modelos, destacando o 'Formica Dial' não apenas como uma curiosidade estética, mas como um registro fóssil vital do apogeu do design de inspiração automobilística da relojoaria mecânica francesa.

CURIOSIDADES

- A designação 'Formica' não era o nome comercial oficial da Yema, mas sim um apelido cunhado a posteriori pela comunidade de colecionadores devido à semelhança do mostrador com as famosas chapas de laminado melamínico usadas na mobília e interiores da década de 1970. - O uso de laminado sintético imitando madeira foi uma solução técnica brilhante: enquanto mostradores de madeira real (usados esporadicamente por marcas de luxo como Rolex) sofriam com empenamentos que travavam os ponteiros, o material da Yema permanecia perfeitamente plano independentemente do clima. - A posição da janela de data às 6 horas no calibre Valjoux 7734 é reverenciada pelos designers de relógios até hoje, pois permite manter uma simetria perfeita no mostrador bi-compax, não interrompendo a leitura dos submostradores às 3 e 9 horas. - Embora o Zenith El Primero e o Calibre 11 tenham inaugurado a era dos cronógrafos automáticos em 1969, a confiança da Yema no Valjoux 7734 de corda manual em 1970 reflete a preferência dos puristas do automobilismo por relógios mecânicos mais finos, robustos e com calibres amplamente testados em condições de extrema vibração. - O Yema Rallye clássico com mostrador preto ficou para sempre associado a Mario Andretti; no entanto, a variante de madeira é frequentemente associada ao estilo 'Playboy' europeu e à vida de luxo na Riviera Francesa durante a década de 70, focando mais no 'lifestyle' Gran Turismo do que nas pistas de terra batida. - No mercado de leilões atual, a originalidade do mostrador 'Formica' é rigidamente inspecionada. Devido à sua raridade, especialistas de casas como a Watches of Knightsbridge utilizam lupas de alta magnificação para garantir que a textura laminada não seja uma reimpressão moderna ('redial'). - A família de calibres Valjoux 773X (incluindo o 7734 presente neste Yema) serviu de fundação arquitetônica e mecânica para o desenvolvimento do lendário Valjoux 7750, o movimento cronógrafo automático mais utilizado na história da relojoaria suíça moderna.

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