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Grand Seiko 62GS (Calibres 6245A/6246A) - A Alvorada da Era Automática e a Cristalização da Gramática do Design


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O primeiro Grand Seiko com movimento automático. Distinguia-se por um design sem bisel e uma caixa multifacetada polida com Zaratsu.

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HISTÓRIA

O Grand Seiko 62GS, lançado em 1967, representa um divisor de águas na história da manufatura japonesa. Enquanto os modelos anteriores da linha Grand Seiko (como o 3180 e o 57GS) eram estritamente de corda manual, o 62GS introduziu o primeiro movimento automático da linhagem, provando que a conveniência da corda automática não precisava sacrificar a precisão cronométrica exigida pelo padrão Grand Seiko. Este marco foi desenvolvido pela divisão Daini Seikosha, que competia internamente com a Suwa Seikosha, fomentando uma era de inovação técnica sem precedentes. O design do 62GS é historicamente significativo por ser o primeiro a incorporar a 'Grammar of Design' (Gramática do Design) de Taro Tanaka. Esta filosofia ditava que todos os relógios Grand Seiko deveriam possuir superfícies planas e arestas vivas para refletir a luz de forma brilhante, além de exigir que cada superfície fosse polida até a perfeição absoluta. A ausência de um bisel tradicional permitiu que o cristal se estendesse até a borda da caixa, criando uma estética limpa, moderna e altamente sofisticada que se tornou o DNA visual da marca até os dias atuais. Tecnicamente, o calibre 6245A/6246A foi uma obra-prima de engenharia para a época. A Seiko optou por integrar a coroa na posição de 4 horas, parcialmente embutida na caixa, para enfatizar a silhueta fluida e evitar que a coroa interferisse no design multifacetado. Esta escolha de design não apenas conferiu ao relógio um perfil ergonômico superior, mas também se tornou uma assinatura visual que distinguia o 62GS de qualquer outro relógio de luxo suíço da década de 1960. O impacto do 62GS no mercado internacional foi profundo. Ele consolidou a reputação da Seiko como uma manufatura capaz de produzir relógios de alta precisão que rivalizavam com os cronômetros suíços mais prestigiados. Ao combinar a robustez da corda automática com o refinamento estético da 'Grammar of Design', o 62GS não apenas definiu o padrão para os modelos automáticos subsequentes, mas também estabeleceu o Grand Seiko como um ícone de luxo discreto e engenharia impecável, um legado que permanece inalterado no catálogo contemporâneo da marca.

CURIOSIDADES

• O polimento Zaratsu, utilizado no 62GS, é realizado pressionando a caixa contra um disco giratório de estanho, uma técnica que exige anos de prática para evitar que o calor ou a pressão excessiva deformem as arestas vivas. • A coroa embutida na posição de 4 horas foi uma solução engenhosa para manter a estética 'sem bisel', permitindo que o usuário desse corda manualmente no relógio automático sem a necessidade de uma coroa proeminente. • O 62GS é frequentemente citado em leilões como a 'peça de entrada' para colecionadores sérios de Grand Seiko vintage, devido à sua importância histórica como o primeiro automático da linhagem. • A Daini Seikosha, responsável pelo 62GS, era conhecida por sua cultura de engenharia agressiva, que frequentemente superava os padrões de precisão estabelecidos pelos observatórios suíços da época, levando à criação dos famosos 'V.F.A.' (Very Fine Adjusted).

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